TRIBUNA FEIRENSE: a dureza, retidão editorial do mais independente dos jornais feirenses

csLzvzz6TcPolISrX0QK1gkmxFLpSHz3K0XFD2R4

A Tribuna teve uma história de luta e resistência

Por: Batista Cruz

Foi numa sala da Câmara de Feira de Santana que nos reuníamos para formatar o Tribuna Feirense. Éramos sonhadores com ideais consistentes. Decidimos e partimos para a concretização de um sonho: um jornal independente, feito por jornalistas. Não foi fácil o parto para que o semanário nascesse.

Éramos quatro pessoas que sonharam coletivamente e que o transformamos em realidade: Gildarte Ramos da Penha e Denivaldo Santos, cuidariam das vendas. Eu e Valdomiro Silva seríamos os responsáveis pela redação. Sem modéstia, protagonizamos um marco na rica história do jornalismo feirense, numa sala modesta de um prédio localizado na rua Carlos Gomes, com duas mesas, dois computadores, muita vontade e sonhos.

A Tribuna teve uma história de luta e resistência. Primeiro por não depender de investimentos públicos para que chegasse às bancas e às casas dos assinantes – sim, iniciamos com centenas de assinantes. Em momento algum prefeitura, câmara ou governo do estado foi procurado para alguma parceria.

Foram os assinantes que confiaram nas promessas dos fundadores e financiaram a realização do sonho, ao pagar antecipadamente por assinaturas de um jornal que ainda nem existia. Teve caso de contrato de dois anos. Assim foi feito algum caixa para iniciar o negócio. Cumprimos o acertado.

E foram os assinantes, mais as vendas nas bancas, que continuaram bancando as edições do jornal. Ao longo da semana eram muitas as ligações telefônicas com leitores pedindo que um representante fosse a residência ou escritórios fazer assinaturas. Os elogios pela linha editorial se multiplicavam.

O diferente da Tribuna foi a sua liberdade de opinião. Acredito que foi o jornal mais independente da história do jornalismo de Feira de Santana em todos os tempos. Entre o seu grupo inicial de donos – nem depois de desfeita a sociedade, houve políticos palpitando ou exigindo ataques ou defesa de alguém ou que não falassem determinados personagens ou assuntos.

A linguagem do jornal também o destacou. Eram matérias que misturavam o factual com análises do acontecido que agradaram ao leitor. Coisa nova no jornalismo local.

O jornal nunca adotou este tipo de comportamento ou assumiu compromissos de defesa apaixonada de alguém. Alguns acontecimentos foram noticiados exclusivamente pela Tribuna, que envolviam alguns figurões, depois outros meios de comunicação os divulgavam. Prazerosamente praticamos a liberdade de imprensa responsável.

E assim o jornal viveu e sobreviveu sem acordos de gabinete ou matérias pagas. O TRIBUNA tinha compromisso com a verdade. Apenas quem trabalhou em um ambiente desses sabe o prazer de apurar, escrever e publicar uma reportagem que não vai ser censuradas pela direção. A Tribuna usou e abusou do ditado que diz que o jornalismo foi criado para desagradar quem se acha poderoso e não o contrário. Muitas brigas foram compradas.

Aqueles dias completaram 27 anos. Tudo parece que foi ontem. Vai continuar vivo na memória de todos nós, os fundadores, para sempre, mesmo que os tempos sejam outros.

Mas a Tribuna sobreviveu pela persistência de Valdomiro Silva, quando os outros sócios desistiram do negócio. Se jornal em Feira é um negócio de alto risco, imagine um que não baixava a cabeça para ninguém. A vida seria curta e agonizante. Não se tinha dinheiro para quase nada. Tive que voltar para o Diário da Feira, onde tinha saído para fundar a Tribuna. Fui recebido de braços abertos pelo lutador Wilson Mário. Fiquei nos dois jornais durante muito tempo e fazendo bicos em outros jornais pequenos da região, por indicação de Walter Xéu. Na Tribuna o pagamento era semanal. Dava para comprar os produtos para fazer o mingau da semana dos meus filhos Vítor e Gabriel, que nesta terça-feira 14 completam 28 anos.
 

Mas o semanário sobreviveu e se tornou diário graças a perseverança de Valdomiro, que acreditou no negócio quando jogamos a tolha. A Tribuna se tornou diário. Bem, aí a história é outra, mas a retidão editorial não mudou uma vírgula. O jornal sobrevive na internet, com os mesmos sonhos, determinação e objetivos: informar.

 

Fonte: O protagonista

 

Divulgação
foto Divulgação
Vicente Santos é responsável pelas informações e imagens apresentadas nesta postagem.Radar News não se responsabiliza pelo conteúdo publicado.
Sou Jornalista formado desde de 2014, radialista. Sempre em busca da informação

Busca Raio X News