Otávio Queiroz
Júri popular também contou com a dispensa da única testemunha de defesa que estava prevista para depor; saiba como foi
O Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, foi o cenário do início do júri popular de dois dos acusados pelo assassinato da ialorixá e líder quilombola Mãe Bernadete, ocorrido na segunda-feira (13). O rito jurídico, que busca justiça pela morte de uma das figuras mais emblemáticas da resistência quilombola na Bahia, começou com revelações cruciais e a ausência de um dos principais nomes do processo.
Enquanto Arielson da Conceição Santos sentou-se no banco dos réus, Marílio dos Santos, apontado como mandante do crime, foi julgado à revelia por permanecer foragido. Saiba como foi o primeiro dia de julgamento.
Atraso e a estratégia da confissão
Os trabalhos no tribunal começaram com um atraso de cerca de duas horas, período dedicado ao sorteio dos sete cidadãos que compõem o Conselho de Sentença. Após a etapa inicial, o foco voltou-se para o interrogatório de Arielson da Conceição Santos.
Em um momento determinante da sessão, o acusado admitiu sua participação no crime, embora tenha apresentado uma justificativa que tenta suavizar a gravidade da intenção original do grupo. Durante seu depoimento, o réu declarou que o objetivo da invasão à comunidade não era o homicídio, afirmando que apenas pensava em “dar um susto” em Mãe Bernadete.
A dinâmica do dia também foi alterada pela dispensa da única testemunha de defesa que estava prevista para depor. Sem explicações detalhadas sobre os motivos dessa desistência, o julgamento seguiu diretamente para a fase de análise das provas apresentadas pelo Ministério Público.
Motivação do crime e robustez das provas
As investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público apontam que a execução de Mãe Bernadete foi motivada por represálias. A líder teria se tornado um alvo após denunciar a atuação de traficantes de drogas dentro do Território Quilombola Pitanga dos Palmares.
Para a assistência de acusação, o conjunto de evidências reunido no processo não deixa margem para dúvidas sobre a autoria e o planejamento do crime.
A advogada Isabela Dario, que acompanha o caso, reforçou, em conversa com o bahia.ba, a confiança na condenação dos réus ao destacar que as provas são irrefutáveis.
Segundo a jurista, o processo está amparado por laudos de balística e depoimentos de testemunhas que ligam diretamente os réus ao local e ao planejamento do atentado.
Em sua avaliação sobre o desfecho do júri, ela foi enfática ao declarar que “as expectativas são de que tenhamos condenações com penas máximas”.
O desfecho no segundo dia
Sob a condução da juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos, o julgamento entra em sua fase mais derradeira nesta terça-feira (14). O cronograma reserva o espaço para os debates entre a acusação do Ministério Público da Bahia (MP-BA) e as defesas.
Após o encerramento das argumentações e das possíveis réplicas, os sete jurados se isolarão para votar os quesitos do crime, culminando na leitura da sentença que definirá a punição para ambos os acusados na morte da líder quilombola.
Fonte: Bahia.ba






