Vereadores e gestores apontam superlotação, falta de recursos e falhas na comunicação como entraves para redução da “fila da morte
A situação da regulação na saúde pública de Feira de Santana foi alvo de críticas durante audiência pública realizada na Câmara Municipal, na manhã desta segunda-feira (13). O encontro reuniu vereadores, gestores e representantes da sociedade civil para discutir os principais gargalos do sistema, especialmente no atendimento de média e alta complexidade.
Presidente da Comissão de Saúde, Assistência Social e Desporto, o vereador Lulinha da Gente (União Brasil) afirmou que a chamada “fila da morte” não apresentou melhorias nos últimos anos. Segundo ele, relatos da população indicam que o problema tem se agravado.
O parlamentar destacou que a burocracia tem impactado diretamente no atendimento. “Não é normal uma ambulância ficar parada aguardando definição de para onde levar o paciente. Feira de Santana é um polo regional e recebe pessoas de diversos municípios, o que amplia a pressão sobre o sistema”, afirmou. Ele defendeu a busca por soluções conjuntas, sem atribuição de culpados.
Durante a audiência, também foram levantados questionamentos sobre falhas na regulação, como a comunicação entre Estado e Município e a necessidade de ampliação de leitos e unidades de atendimento, incluindo novas UPAs.
Outro ponto criticado foi a ausência de representantes do Governo do Estado, incluindo a secretária estadual de Saúde, o que, segundo o vereador, compromete o debate sobre um sistema que é de responsabilidade compartilhada entre os entes federativos.
A presidente da Fundação Hospitalar de Feira de Santana, Gilberte Lucas, chamou atenção para a sobrecarga enfrentada pelas unidades municipais. De acordo com ela, somente nos últimos três meses foram realizados cerca de 15 mil atendimentos a gestantes, sendo quase 40% de pacientes vindas de outros municípios.
Ela ressaltou que, mesmo sem capacidade suficiente, as unidades não podem recusar atendimento, o que agrava a superlotação. Situações mais críticas envolvem recém-nascidos que necessitam de exames de alta complexidade e dependem da regulação estadual, muitas vezes indisponível em tempo hábil.
Gilberte também demonstrou preocupação com a chamada “vaga zero” da Central Estadual de Regulação, utilizada para casos urgentes. Segundo ela, frequentemente chegam pacientes em estado grave para unidades já sem estrutura adequada, o que dificulta a assistência.
O secretário municipal de Saúde, Rodrigo Matos, afirmou que o problema da regulação vai além da falta de leitos e envolve questões estruturais, principalmente o financiamento. Ele destacou que o município investe mais de 30% da receita corrente líquida em saúde, percentual acima do mínimo constitucional.
Ainda assim, segundo o gestor, os recursos são insuficientes diante da demanda regional. Ele comparou o cenário de Feira de Santana com o de outros municípios, apontando diferenças significativas no repasse de verbas para serviços de média e alta complexidade.
Dados apresentados indicam que especialidades como oncologia, cirurgia torácica, hematologia, urologia e pneumologia estão entre as mais demandadas. Auditoria do Tribunal de Contas do Município também apontou aumento no tempo de espera para diversas especialidades entre 2019 e 2024.
A centralização da regulação estadual, que atende centenas de municípios, também foi alvo de críticas por parte dos participantes, que questionaram a eficiência do modelo atual.
A audiência terminou sem respostas definitivas, mas reforçou a necessidade de maior transparência e esclarecimento sobre o funcionamento do sistema de regulação, tema que ainda gera dúvidas entre a população e evidencia os desafios enfrentados pela saúde pública no município.
Por: Vicente Santos






