A jornalista Beatriz Oliveira, repórter da Globo Minas e ex-repórter da TV Bahia, usou as redes sociais nesta segunda-feira (14) para denunciar que foi vítima de racismo em Belo Horizonte. A comunicadora se mudou para a capital mineira há apenas um mês, após aceitar o convite para integrar a equipe da emissora local.
Em um desabafo forte publicado em seu perfil no Instagram, Beatriz contou que o episódio aconteceu poucas semanas após sua chegada. Ela comparou a nova realidade com sua vivência em Salvador, afirmando que nunca havia passado por algo semelhante em solo baiano.
A repórter descreveu a situação como um “soco no estômago” e uma lembrança de que, para as pessoas negras, muitas vezes a cor da pele é julgada antes de qualquer história ou formação profissional. A jornalista também pontuou as complexidades de sua identidade.
“Tenho passabilidades, mas nunca tive privilégio”, escreveu Beatriz, ao relatar que chegou a questionar a própria dor antes de chegar em casa.
Apesar do impacto emocional e de cogitar mudar de endereço na capital mineira para evitar novos episódios, a repórter afirmou que desistiu da ideia ao se lembrar da luta de sua família. Ela mencionou a trajetória dos pais e avós para justificar sua permanência.
“Recuar não seria apenas mudar de endereço. Seria permitir que a violência de alguém atravessasse uma história que levou gerações para ser construída”, pontuou a jornalista. Encerrando o desabafo, ela garantiu que vai seguir firme em sua nova fase profissional: “Não haverá recuo”.
“Na Bahia, o racismo nunca me alcançou. Em outra região do país, ele se materializou na minha frente com apenas um mês de moradia. Um soco no estômago. Uma ruptura. A lembrança brutal de que, para nós, há lugares onde a cor da pele chega antes da nossa história, da nossa formação, da humanidade. Não precisei de muito para entender o que estava acontecendo. Reagi. Firme. Mas, quando fechei a porta do apartamento que escolhi para morar, desabei. Naquele momento, vivi aquilo que tantas vezes li, ouvi e pensei sobre ser uma mulher negra de pele clara. Tenho passabilidades.
Mas nunca tive privilégio. E talvez seja justamente essa uma das armadilhas mais perversas do racismo: fazer com que a gente, por vezes, questione se tem o direito de chamar de violência aquilo que nos feriu. Pensei em recuar. Escolher outra região da cidade para morar. Até que olhei para trás. Lembrei da minha mãe, que limpou tantos chãos para que eu pudesse chegar até aqui. Lembrei do meu pai, que tantas vezes empunhou enxadas para abrir caminhos que não estavam prontos para nós. Lembrei dos meus avós, que não puderam viver sonhos porque precisavam sobreviver. Então compreendi: recuar não seria apenas mudar de endereço. Seria permitir que a violência de alguém atravessasse uma história que levou gerações para ser construída. Um anjo que a vida colocou no meu caminho me disse: “Não haverá recuo.” E o eco ressoa: não haverá! “
Matéria do site Correios 24h





