Projeto reúne releituras, faixas inéditas e participações especiais, com as fanfarras no centro da nova proposta sonora
Depois de rodar o mundo em 2025, o BaianaSystem começa 2026 com o olhar voltado para a América Latina e o Caribe. A banda apresenta Mixtape Pirata – Vol. 01, projeto que antecipa um novo momento criativo do grupo e embala o verão até o Carnaval, reunindo releituras, músicas inéditas e colaborações especiais.
Entre as faixas revisitadas estão canções já consolidadas no repertório do BaianaSystem, como Lucro/Descomprimindo e Forasteiro, além de composições inéditas que ampliam o universo sonoro da banda. A mixtape conta com participações de Armandinho Macedo, RDD, Coletivo SuperJazz, Tropkillaz e da cantora Claudia Manzo, presença frequente nos shows do grupo.
O primeiro single do projeto, Fanfarra Pirata, foi lançado em janeiro e já aponta os caminhos estéticos e conceituais da mixtape.
Fanfarras entre tradição e reinvenção
Se a ideia de mixtape dialoga diretamente com a cultura soundsystem, as fanfarras evocam a música coletiva das manifestações de rua, em especial aquela criada pelos próprios músicos do Carnaval.
Mais do que um elemento estético, o BaianaSystem propõe uma reflexão histórica. Com os processos de independência na América Latina e no Caribe, esses ritmos foram ressignificados, passando por uma verdadeira antropofagia musical ao se misturarem aos sons dos povos originários e às matrizes africanas.
Essa fusão ajudou a construir uma nova base harmônica que influenciou profundamente os gêneros musicais brasileiros e sul-americanos. No Brasil, as fanfarras também se conectam às celebrações da Independência na Bahia, especialmente no cortejo do Caboclo, símbolo dos povos originários, mestiços e negros como emblema nacional.
Referências como o Sol de Maio, presente nas bandeiras da Argentina e do Uruguai e associado ao deus inca Apu Inti, dialogam com o universo conceitual já explorado pelo grupo em América do Sol, terceiro ato do álbum OXEAXEEXU (2021).
Uma nova alma sonora
Para Roberto Barreto, guitarrista do BaianaSystem, a fanfarra assume agora um papel central na sonoridade da banda. “Fanfarra é inspirada em musicistas com quem tivemos a honra de tocar e também uma justa homenagem às diversas instituições e grupos espalhados pelo país, que são escola e representam uma memória coletiva da música brasileira”, afirma.
Segundo o músico, o termo fanfare também remete ao ornamento melódico protagonizado pelos metais, comum em óperas e em discos como O Mundo Dá Voltas.
“Nas fanfarras brasileiras, esse floreio é marcado pela percussão. Aqui na Bahia, essa batida é afropercussiva, criando uma polivalência musical”, completa.
Com raízes nas bandas marciais e nas orquestras do interior, a fanfarra passa a orientar os próximos passos do BaianaSystem, ampliando a presença de sopros e metais ao lado da guitarra baiana — eixo central da identidade sonora do grupo.
Assim, Mixtape Pirata – Vol. 01 se apresenta como um manifesto sonoro para o verão de 2026, conectando passado e presente, rua e palco, tradição e experimentação.
Fonte: Bahia.ba







