O senador Jaques Wagner (PT) afirmou nesta quinta-feira (18) que os valores em dólar e euro apreendidos pela Polícia Federal durante a nona fase da Operação Compliance Zero têm origem regular e estão ligados a viagens internacionais realizadas ao longo dos últimos anos. Em entrevista à BandNews TV, o parlamentar também negou qualquer relação comercial com o Banco Master, alvo central da investigação.
A operação, conduzida pela Polícia Federal e autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), apura suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e uma rede de supostas conexões políticas e empresariais. Segundo informações divulgadas pela imprensa, foram apreendidos US$ 55 mil e 33 mil euros em endereços ligados ao senador.
Questionado sobre a origem do dinheiro e sobre um apartamento em construção no Horto Florestal, área nobre de Salvador, Wagner afirmou que os recursos são resultado de diárias recebidas em viagens oficiais e de compras de moeda estrangeira realizadas por meio de sua conta bancária.
“Repare, o dinheiro, eu várias vezes viajei para o exterior, mandei até levantar. De 2019 para cá, eu recebi de diários aproximadamente 70 mil dólares. E outras vezes que eu fui viajar, eu comprei via Banco do Brasil, onde eu tenho em conta, dólares ou euro para fazer a viagem. Então, eu não tenho nenhuma coisa para esconder nesse dinheiro. Está guardado no cofre, porque eu vou viajar, nem sempre eu levo a diária, às vezes eu gasto com cartão. E, portanto, o dinheiro está lá. Os envelopes, inclusive, que estavam no caso de Brasília, eram envelopes com o timbre do Senado Federal, que é quando você recebe a diária em espécie, em dólar”, afirmou.
O senador declarou ainda que não recebeu recursos de pessoas investigadas no caso e disse estar tranquilo em relação às apurações. “Então, do ponto de vista do dinheiro, eu estou absolutamente tranquilo. Nunca recebi dinheiro de ninguém, muito menos do Master ou do Augusto Lima. Então, eu estou absolutamente à vontade”, acrescentou.
Imóvel citado na investigação
Sobre o imóvel citado na investigação, Wagner afirmou que a unidade ainda está em construção e que cogitou ajudar a filha na aquisição do apartamento. Segundo ele, o empresário Augusto Lima teria atuado apenas como investidor temporário até que a compra pudesse ser concluída pela família.
“Sobre o apartamento, na verdade, é um apartamento que está em construção, aqui no Horto. Eu tinha interesse de dar um apartamento ou de ajudar a minha filha a comprar um apartamento desse. Como o Guga, o Augusto Lima, é um investidor, eu disse a ele, você pode comprar, depois eu vou recomprar, porque o apartamento está em construção, não está pronto. E eu teria que vender o apartamento de minha filha para poder complementar e pagar o apartamento ou ela financiar. Então, não tem nenhuma transferência de patrimônio para mim.”
Vínculo com o Banco Master
Wagner também negou qualquer vínculo empresarial com o Banco Master ou com a Credcesta, produto financeiro associado ao grupo investigado. “Eu não tenho, vou repetir, nenhum negócio com o Master ou com o Credicesta. Nós privatizamos a rede de supermercado Cesta do Povo e essa rede levou junto o cartão. Daí para frente, foi um negócio desenvolvido pelo banco e pelo próprio Augusto Lima”, declarou.
Apesar de ter sido alvo das medidas de busca da operação, o senador não é alvo de mandado de prisão nem foi denunciado até o momento.
Fonte:Bahia.ba






