Por: Vicente Santos
Documentos revelam que companhia usada para repasses ao longa “Dark Horse” recebeu R$ 159 milhões de estruturas financeiras investigadas na Operação Compliance Zero; episódio reforça suspeitas sobre a origem dos recursos e aprofunda crise política em torno de aliados do ex-presidente.
A investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, ganhou um novo capítulo após a revelação de que a empresa apontada como responsável por transferências ao projeto recebeu R$ 159 milhões de fundos sob apuração da Polícia Federal no escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A informação amplia o alcance político e financeiro da Operação Compliance Zero, que já apura suspeitas de fraude, lavagem de dinheiro e uso irregular de estruturas de investimento ligadas ao empresário.
Segundo documentos obtidos por investigações jornalísticas, parte dos recursos destinados ao filme teria passado pela Entre Investimentos e Participações, empresa citada como intermediária em operações conectadas a fundos ligados ao ecossistema financeiro de Vorcaro. O material analisado indica que esses repasses ocorreram em paralelo ao avanço das negociações para financiar a produção internacional sobre a trajetória política de Bolsonaro, articulada por aliados próximos, incluindo Flávio Bolsonaro.
As apurações apontam que o projeto audiovisual teria previsão de aportes milionários, com tratativas envolvendo cifras superiores a R$ 130 milhões. Embora Flávio Bolsonaro sustente que se trata de patrocínio privado sem uso de verba pública, o surgimento de empresas abastecidas por fundos sob investigação criminal lança dúvidas sobre a origem e a legalidade do circuito financeiro.
A Polícia Federal investiga se estruturas empresariais associadas ao caso Banco Master foram utilizadas para movimentar recursos de maneira opaca, inclusive por meio de fundos e empresas parceiras. O novo elo entre essas estruturas e o filme aumenta a pressão para que autoridades aprofundem a análise sobre eventual lavagem de dinheiro, triangulação financeira ou uso político de capital de origem suspeita.
O caso também adiciona desgaste à imagem de figuras do bolsonarismo em meio à corrida eleitoral de 2026, especialmente porque o financiamento de uma obra de grande porte sobre Jair Bolsonaro passa a ser examinado não apenas sob o prisma cultural ou político, mas também dentro de uma investigação criminal de alcance nacional. Enquanto envolvidos negam irregularidades, o cruzamento de dados financeiros e mensagens apreendidas mantém o caso no centro da agenda política e judicial brasileira.
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