Quando a ficção antecipa a política internacional

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Coluna Política

Para muitos, a política pode parecer um assunto distante, quase irrelevante no cotidiano. No entanto, para quem observa com atenção — ou mesmo para quem consome cultura popular — certas narrativas ajudam a revelar muito mais do que parecem.

Quem acompanha séries e filmes certamente já assistiu a Jack Ryan, produção que, em sua segunda temporada, deixa explícita uma visão recorrente da política externa norte-americana: a identificação de “ameaças” aos Estados Unidos, quase sempre associadas ao controle de petróleo e de recursos minerais estratégicos. A ficção, nesse caso, se aproxima perigosamente da realidade.

Relatórios e investigações divulgados pela própria CIA colocaram a Venezuela no centro desse discurso. Em meio a esse cenário, o então presidente Donald Trump teria, segundo diversas análises, considerado usar poucos minutos de poder decisório para ordenar um ataque direto, com o objetivo de bombardear o país e prender seu presidente. Tudo isso sem qualquer discussão prévia com a ONU ou com organismos internacionais voltados à mediação e à preservação da paz.

Esse tipo de atitude abre um precedente extremamente perigoso. Quando um chefe de Estado age unilateralmente, ignorando o diálogo internacional, não se trata apenas de uma decisão militar: é uma porta escancarada para a instabilidade global — e, em última instância, para o risco de uma terceira guerra mundial. Ainda assim, há quem apoie tais ações e as considere corretas, como se o uso da força fosse uma solução simples para problemas complexos.

A história mostra que, quando governos se tornam instáveis, potências dominantes costumam enxergar nisso uma oportunidade. A fragilidade institucional passa a ser usada como justificativa moral e política para intervenções, invasões e tentativas de dominação. A “falha do Estado” deixa de ser um problema a ser resolvido internamente e passa a ser o argumento perfeito para interesses externos.

Entre a ficção e a realidade, resta uma pergunta incômoda: até que ponto essas narrativas moldam a opinião pública para aceitar ações que, em outras circunstâncias, seriam amplamente condenadas?

 

 

Por Vicente Santos
 
 

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Sou Jornalista formado desde de 2014, radialista. Sempre em busca da informação

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