Por: Redação
Partido também discute ampliar participação da sociedade civil no CNJ e no CNMP e promete endurecer estratégia eleitoral de Lula
O PT pretende incluir em sua próxima resolução política a defesa da criação de mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A proposta, que já vinha sendo debatida internamente, agora conta com o aval da direção nacional da legenda e surge em um momento de forte desgaste envolvendo a Corte, com reflexos na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Além da mudança no modelo de permanência dos ministros do Supremo, o partido também começou a discutir alterações na composição dos órgãos responsáveis pela fiscalização do Judiciário e do Ministério Público. Entre as ideias está o aumento da participação de representantes da sociedade civil no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
As propostas foram apresentadas nesta quinta-feira (10) pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, após uma reunião da cúpula partidária.
“Estamos falando de ampliação do CNMP, ampliação do CNJ, para que a sociedade civil tenha mais assentos nos órgãos que fiscalizam. E também a questão de mandatos para as cortes”, afirmou.
Segundo Edinho, o partido ainda não definiu a duração dos eventuais mandatos dos ministros. A intenção, neste momento, é colocar o tema no centro do debate político e institucional.
A discussão ocorre enquanto a crise envolvendo o STF tem sido explorada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula na disputa presidencial. O grupo político ligado ao senador mantém há anos uma postura crítica em relação à Suprema Corte, posicionamento que voltou a ganhar força nos últimos dias.
Caso Banco Master amplia pressão sobre o STF
O ambiente de tensão aumentou depois que o ministro André Mendonça retirou, na semana passada, o sigilo de informações relacionadas à investigação sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Segundo as informações divulgadas no âmbito da investigação, Moraes teria sido procurado por Vorcaro para saber se deveria deixar o país antes de uma eventual prisão. A troca de mensagens teria ocorrido poucos dias antes da detenção do empresário.
Também veio à tona um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa de Moraes. O episódio passou a ser explorado politicamente pelos adversários do governo e da Corte.
PT quer recuperar iniciativa na campanha
A reunião da direção petista também tratou da estratégia eleitoral para os próximos meses. Segundo relatos de integrantes da legenda, existe uma avaliação interna de que Lula permaneceu na defensiva durante um período prolongado e precisa voltar a ocupar o centro do debate político.
O crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto aumentou a preocupação dentro do partido. Diante desse cenário, dirigentes defendem uma postura mais combativa e respostas mais rápidas aos ataques do campo bolsonarista.
Edinho Silva afirmou que o PT pretende retomar uma antiga bandeira da legenda: a reforma do Poder Judiciário.
“Temos que ser mais enfáticos na questão da reforma do Poder Judiciário, que é uma bandeira antiga do PT. Temos legitimidade para falar disso, não estamos falando agora porque a Suprema Corte está em crise”, declarou.
Dentro do partido, alguns integrantes defendem ainda uma campanha mais dura contra o bolsonarismo. A estratégia inclui intensificar o confronto político e reagir com maior velocidade às críticas e ataques dos adversários.





