De volta à sua terra natal, o baiano revelou à reportagem detalhes do período em lutou na guerra.
Por não ter conseguido realizar o sonho de fazer parte do Exército Brasileiro, o baiano Redney Miranda decidiu deixar o Brasil e se juntar à guerra da Ucrânia como voluntário.
Sem experiência e movido, segundo ele, por ‘adrenalina’, Miranda contou durante entrevista ao Fantástico que o plano era permanecer no país do leste europeu por apenas 30 dias, mas a viagem durou quase seis meses.
Redney não foi o único baiano a se voluntariar para a guerra. O Fantástico coletou histórias de outros baianos que também se juntaram ao enclave, movidos pelo sonho de se tornar um soldado, promessas de ganhos financeiros vantajosos e boa receptividade, para só depois descobrirem que a realidade pode ser muito distante do que imaginavam.
De volta à sua terra natal, o sobrevivente revelou à reportagem detalhes do período em que lutou na guerra contra a Rússia, e como perdeu quase 30 quilos, devido à má ou quase inexistente alimentação que era servida aos combatentes.
“A comida era ração militar. Passei a ficar três dias só com o tempero do macarrão instantâneo. Cheguei com 90 quilos e voltei com sessenta e poucos”, afirmou.
Além da fome, Redney revelou que vivia em constante risco, foi ferido por estilhaços de uma granada e chegou a ficar com parte do corpo paralisado. Ele também presenciou a morte de 17 combatentes, entre eles outro brasileiro do estado do Pará, chamado Wagner.
“Ele saiu da trincheira sem equipamento e um drone atingiu. Estava sem colete, sem nada”, contou.
O soldado afirmou ainda que ao tentar retornar para o Brasil enfrentou resistência por parte do exército ucraniano, que chegaram a persegui-lo, enquanto ele tentava fugir para fora da trincheira.
Após a fuga arriscada, ele chegou a uma cidade próxima do front. O baiano, então, conseguiu deixar a Ucrânia e voltou ao Brasil.
Pai de uma menina, o ex-combatente voluntário tenta retomar a rotina que tinha antes de se envolver na guerra, mas ainda sofre com as lembranças.
“Talvez com a filha por perto as coisas mudem um pouco. Ela deixa o dia mais leve”, afirmou.
Segundo a Embaixada da Ucrânia no Brasil, o órgão não recruta brasileiros para lutarem na guerra. No entanto, aquelas que decidem se alistar tem os mesmos direitos e deveres de um cidadão ucraniano em serviço militar.
De acordo com o Itamaraty, desde o início da guerra, que já dura 4 anos, 19 brasileiros morreram no conflito e 44 estão desaparecidos.
Fonte: Folha do Estado







