MÁRIO BRAGA, O ZAGUEIRO QUE NÃO BRINCAVA EM SERVIÇO

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Sólido e sério. Um zagueiro à moda antiga, quando firulas não estavam na cartilha de quem jogava atrás e quem fazia “domingadas” expunha-se ao protesto da torcida e ao banco de reservas. Campeão baiano de 1969 pelo Fluminense, o capixaba Mário Braga deixou sua irretocável imagem de quem entrava em campo para vencer. 

Um dos poucos remanescentes do time do Fluminense de Feira, campeão baiano de 1969, já não está entre nós. O capixaba Mário Braga (Mário José Braga), considerado o xerife do time tricolor, que fazia dupla de zaga com o carioca Sapatão (Élcio Nogueira da Silva), despediu-se da vida material no dia 2 deste mês (setembro), aos 82 anos de idade, na cidade de Natal, Rio Grande do Norte, onde estava residindo. Com 1,82 m de altura, dono de um futebol sem firulas, Mário Braga consolidou-se com a camisa de zagueiro de área do Fluminense, também vestida por nomes como Valder, Bueiro, Colário, Ninoso e Onça, dentre outros, que o antecederam e se eternizaram, com méritos, na galeria dos ídolos do Touro do Sertão. 

Filho do casal José Mário Braga e Aracy Teixeira Braga, Mário Braga começou muito cedo nos “rachas” com colegas de estudo no Liceu de Cachoeiro do Itapemirim, Espírito Santo, terra de outro Braga famoso, o rei Roberto Carlos. Sempre gostou de jogar atrás, talvez pela estatura e pela seriedade que empregava. Mesmo nas peladas infantis, era calado e de pouca brincadeira. “Zagueiro não começa, zagueiro termina” era adepto desse preceito comum então no futebol carioca, notadamente entre os times menores em confronto com os poderosos (Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo). Zezinho, que era técnico do Estrela do Norte, viu o garoto alto e magro, mas muito seguro nas bolas divididas e, sem titubear, levou-o para o Estrela e não se arrependeu. 

Logo, o garoto estava com a camisa titular do Estrela do Norte, de onde foi para o Flamengo. Em 1965, foi titular do time rubro-negro, vice-campeão da Taça Guanabara, que ficou com o Fluminense, vencedor da final por 3 x 1. Em 1968, o presidente do Fluminense de Feira, Alberto Oliveira, estabeleceu um intercâmbio com o Flamengo, que resultou na ida de Onça (Mário Felipe) e Neves (Neviton) para a Gávea e na vinda de vários jogadores para o Tricolor. No ano seguinte, com a contratação do técnico Walter Miraglia, vieram Mário Braga, Sapatão, Ubirajara, Merrinho, João Daniel e Nico. 

Depois do Fluminense — campeão baiano de 1969 —, Mário Braga atuou no Bahia, América de Natal, onde foi tricampeão do Rio Grande do Norte, e Baraúnas de Mossoró, encerrando a carreira em 1976. Voltou para Feira de Santana e trabalhou na Empresa Itapemirim (Transportadora) entre 1977 e 1988. O comerciante Leo Carneiro (Welington Carneiro), que trabalhou na Viação Itapemirim, do mesmo grupo, lembra que Mário Braga mantinha a mesma seriedade jogando futebol amador. 

“Houve um jogo entre as equipes das duas empresas. Nós (Viação Itapemirim) ganhamos por 1 x 0, o gol foi meu e Mário ameaçou me pegar. Ele levava tudo a sério.” 

O ex-zagueiro ainda morou em Natal pela segunda vez, João Pessoa, na Paraíba, e Cachoeiro do Itapemirim. Aposentado, fixou-se em Natal, falecendo no dia 2 de setembro, vítima de Alzheimer. Estava divorciado da senhora Neurizete Nogueira e deixou três filhos: Rodrigo Nogueira Braga, Andressa Nogueira Braga e Mirela Nogueira Braga. 

Nesta cidade, o falecimento do zagueiro campeão baiano de 1969 foi muito sentido, principalmente entre os torcedores mais antigos que acompanharam a notável campanha do Fluminense, que realizou 31 jogos e perdeu apenas três. 

Vale lembrar o time comandado por Walter Miraglia: Ubirajara, Ubaldo Oliveira, Sapatão, Mário Braga e Nico; Merrinho e Delorme; Jurinha, Freitas, João Daniel e Robertinho. 

Por Zadir Marques Porto

Matéria do site da Prefeitura de Feira de Santana

Divulgação - Arquivo ZMP
foto Divulgação - Arquivo ZMP
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Sou Jornalista formado desde de 2014, radialista. Sempre em busca da informação