Compositor ressaltou o alívio ao testemunhar uma nova geração de artistas assumindo o compromisso de cantar e pensar a Bahia de forma consciente
Durante o Festival Afropunk, o icônico cantor e compositor baiano Lazzo Matumbi refletiu sobre a trajetória de sua carreira e as transformações na cena artística e social da Bahia. Em conversa com o bahia.ba, a voz símbolo da resistência afro-baiana enfatizou que seu repertório sempre traduziu as dores e a busca por um estado e um país mais justos.
Questionado sobre o que mudou na cena cultural desde que iniciou seus passos até os dias de hoje, o veterano ressaltou o alívio ao testemunhar uma nova geração de artistas assumindo o compromisso de cantar e pensar a Bahia de forma consciente.
“Na realidade, o que a gente canta… a gente canta muita dor. A gente canta muita vontade de reconstruir um país, uma cidade, um estado que nos respeite, que nos oportunize, que nos dê a possibilidade de nós sermos mais felizes”, refletiu Lazzo Matumbi.
Legado
O cantor celebrou o surgimento de novos nomes na música baiana, a exemplo do cantor Ravik, e apontou que as lutas travadas por sua geração pavimentaram caminhos menos espinhosos para os jovens talentos periféricos e negros que emergem no cenário atual.
“Eu digo que, de lá para cá, a minha luta hoje é muito melhor. Por quê? Porque eu consigo ver novos artistas tendo a possibilidade de ter a responsabilidade de cantar uma Bahia séria, como no caso de Ravik”, avaliou o mestre da música baiana.
Ao olhar para a própria caminhada, Lazzo expressou satisfação com os frutos colhidos, mas reforçou que o trabalho de expansão de direitos e oportunidades para a arte independente e negra deve continuar.
“Então assim, eu estou tranquilo, porque o que eu capinei lá atrás, hoje eu encontro uma pista mais asfaltada. Claro que a gente quer ampliar esse asfalto. Mas eu fico feliz de saber que essa pista está mais asfaltada para receber mais gente que vem com a responsabilidade de reconstruir esse país”, concluiu Lazzo.
Fonte: Bahia.ba





