‘Foi suicídio. O que é que ele tem a ver com isso?’, diz defesa do namorado de jovem encontrada morta em condomínio

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A advogada de João Munhoz Neto, Lígia Peixe, afirmou que ele “não tem nada a ver” com a morte da estudante universitária Isabelle Caracristi e que o caso se trata de um suicídio. A declaração foi dada à imprensa na sede da Delegacia de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Intolerância Religiosa ou Orientação Sexual (Decrin), na tarde de terça-feira (22).

“Foi suicídio. O que é que ele tem a ver com isso? Ele não estava em casa, certo? Então, assim, ele está abalado”, afirmou a advogada. Ela também acusou a investigação de buscar uma “resposta midiática”.

João Munhoz foi preso preventivamente na terça-feira (22). Ele é investigado por induzimento ao suicídio e violência psicológica contra a jovem. Lígia Peixe nega as acusações. “A defesa nega qualquer incitação ao suicídio. Isso não existe”, declarou.
Ainda segundo a advogada, João já havia se apresentado voluntariamente à Polícia Civil na segunda-feira (21). A polícia, no entanto, chegou a informar que ele era procurado.

Relembre o caso

Isabelle foi encontrada sem vida no dia 13 de setembro, no pátio do condomínio La Piazza, em Fortaleza. Na véspera, ela havia passado parte do dia com a mãe, a professora universitária Isorlanda Caracristi. Segundo o relato da professora, a filha havia reclamado de dores no pescoço e demonstrado vontade de ficar com ela durante o fim de semana.
No sábado (12), mãe e filha estiveram juntas no aniversário de um familiar. No dia seguinte, Isabelle contou que iria a uma missa e a uma procissão na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, acompanhada do namorado e da mãe dele. Durante o período em que estiveram juntas, Isorlanda disse ter percebido que a filha recebia diversas mensagens do companheiro, comportamento que classificou como controlador

O último contato entre mãe e filha teria ocorrido na noite de domingo. Conforme o relato de Isorlanda, Isabelle enviou uma mensagem pedindo que ela verificasse uma comida que havia deixado na airfryer. Pouco depois, mandou outra: “Mãe, eu te amo”. Depois disso, a jovem deixou de responder.

A princípio, Isorlanda imaginou que Isabelle tivesse adormecido após tomar um relaxante muscular que havia sido indicado a ela. Na manhã seguinte, sem conseguir contato com a filha, a professora tentou falar com o namorado da estudante por telefone e pelas redes sociais. Foi então, segundo ela, que percebeu que havia sido bloqueada nos perfis dele.

“Para a minha surpresa, eu estava bloqueada. Fui tentar pelo Instagram dele, bloqueada. No outro Instagram pessoal, bloqueada. Totalmente bloqueada, bloqueada… Certo, aí eu me desesperei”, relatou Isorlanda.

A professora foi até o condomínio acompanhada do irmão. Segundo ela, os funcionários do prédio demonstraram hesitação ao explicar o que havia ocorrido. Posteriormente, a família foi informada pela síndica de que Isabelle havia morrido na noite anterior e que o corpo já havia sido encaminhado para a sede da Perícia Forense.

Desde então, Isorlanda afirma não ter conseguido contato com o namorado da filha nem com a mãe dele, identificada como Sara Regina Alexandre Munhoz. Um celular e um tablet pertencentes à mãe dele foram apreendidos e serão submetidos à perícia. O celular de Isabelle também foi recuperado e deverá passar por análise.

A perícia já identificou no corpo de Isabelle lesões “compatíveis com o impacto contra o solo”. Exames laboratoriais não encontraram substâncias de interesse toxicológico.

 

 

Fonte: Correio 24 Horas

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