O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou três pedidos ao Supremo Tribunal Federal (STF) na noite desta sexta-feira (30), em uma tentativa de mudar os rumos da investigação que envolve sua relação com o advogado Willer Tomaz, segundo informações divulgadas pela CNN Brasil.
Entre as solicitações, a defesa do candidato derrotado nas eleições presidenciais pede que o ministro Alexandre de Moraes deixe de conduzir o caso, que André Mendonça assuma a relatoria e que seja revista a decisão que determinou a apreensão do passaporte do parlamentar e o impediu de deixar o Brasil.
Duas das petições foram encaminhadas ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. Em uma delas, a defesa apresenta uma questão de ordem para solicitar que a investigação seja transferida para Mendonça. Os advogados argumentam que o ministro já conduz procedimentos relacionados à Operação Sem Desconto e, por isso, deveria ser considerado prevento para analisar o caso.
“Todos os elementos dos autos convergem para a prevenção do Exmo. Ministro André Mendonça. Sua Excelência supervisiona, desde agosto de 2025, a Operação Sem Desconto e, desde 17.07.26, a Petição nº 16.435/DF, que apura a mesma estrutura atribuída a Willer Tomaz, descrita pela Polícia Federal como “hub financeiro, patrimonial e logístico’ de lavagem de capitais”, afirma o documento.
Na segunda solicitação enviada a Fachin, os advogados pedem o reconhecimento do impedimento e da suspeição de Alexandre de Moraes. A justificativa apresentada envolve uma empresa que aparece na investigação e possui, entre seus ativos, uma aeronave utilizada pelo ministro.
Segundo a defesa, as cotas do avião teriam sido destinadas ao escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado, no contrato firmado com o Banco Master.
O terceiro pedido foi direcionado diretamente a Moraes, onde Flávio solicita que o ministro reconsidere as medidas cautelares que determinaram o recolhimento de seu passaporte e a proibição de deixar o território nacional.
Defesa nega irregularidades
Além de contestar as decisões judiciais, os advogados afirmaram que o senador está disposto a prestar esclarecimentos durante a investigação. Na petição, a defesa declarou “integral disposição de colaborar com a investigação” e garantiu que “comparecerá a todos os atos para os quais for chamado e prestará os esclarecimentos que Vossa Excelência entender necessários”.
Os representantes de Flávio também contestaram elementos utilizados por Moraes para fundamentar as medidas restritivas. Entre eles estão o fato de o senador aparecer como contato favorito de Willer Tomaz em um aplicativo de mensagens e o pagamento de passagens aéreas pelo advogado.
Segundo a defesa, essas circunstâncias seriam consequência da relação de amizade entre os dois. Os advogados também negaram a existência de uma conta bancária conjunta atribuída ao senador e a Tomaz, afirmando que o Banco Santander já teria contestado essa informação.
Outro ponto questionado envolve uma possível ligação de Flávio com a exploração de apostas no Rio de Janeiro. A defesa sustenta que a representação da Polícia Federal utilizada para embasar a decisão judicial não apresenta qualquer ato do parlamentar relacionado à Rede Loto, à RioPag ou à Loterj.
Fonte: Bnews





