Família de Kauan Gomes busca justiça em julgamento após jovem ser morto a tiros em Feira de Santana

WhatsApp-Image-2026-08-12-at-11.19.48-1000x563-1

Mãe e avó relembram os últimos momentos do jovem, a dor da perda e a decisão de doar os órgãos; julgamento acontece nesta quinta-feira (13)

O júri popular que vai julgar o homicídio de Kauan Gomes, de 20 anos, acontece nesta quinta-feira (13), em Feira de Santana. Às vésperas do julgamento, a família do jovem volta a pedir justiça e relembra a violência que interrompeu seus planos e deixou uma ausência que, segundo a mãe e a avó, permanece presente todos os dias.

Kauan foi baleado na cabeça na manhã de 13 de dezembro de 2024, enquanto estava no banco do carona de um carro. Ele foi socorrido e permaneceu internado no Hospital Geral Clériston Andrade, em Feira de Santana. Dias depois, a morte cerebral foi confirmada.

Na véspera do julgamento, a mãe, Samille Gomes, e a avó, Siônia Gomes, durante o programa nas Ruas e na Policía, comandado pelo radialista Aldo Matos, relembraram os momentos do ataque, falaram sobre a saudade e afirmaram que esperam que o júri traga uma resposta para a família.

Samille estava no carro no momento em que o filho foi atingido. Segundo ela, os dois seguiam para a academia, como faziam diariamente, quando perceberam a aproximação de um carro.

Ela contou que chegou a ouvir um barulho e, pouco depois, percebeu que um veículo se aproximava. Segundo o relato da mãe, o suspeito, identificado por ela como Adriano, teria colocado o corpo para fora do carro e efetuado o disparo.

“Eu ouvi o estralo do vidro. Quando olhei para o lado, vi Kauan sem reação. Depois percebi que ele ainda tinha fôlego de vida”, contou.

Desesperada, Samille parou o carro e tentou verificar o estado do filho. Em seguida, levou Kauan para o Hospital Geral Clériston Andrade, onde ele recebeu atendimento médico.

Aquela manhã, que começou como tantas outras na rotina da família, terminou marcando para sempre a vida de todos.

Uma dor que permanece

Quase dois anos depois da tragédia, Samille afirma que ainda não encontrou uma forma de dimensionar a ausência do filho.

“Eu vivo com essa dor todos os dias. É um aperto no peito de todos os dias. O que me sustenta até aqui é a fé”, declarou.

Kauan é lembrado pela família como um jovem tranquilo, amoroso, respeitador e que buscava construir o próprio futuro. A mãe conta que a perda não representa apenas a ausência física, mas também a interrupção de planos, abraços, encontros e momentos que não poderão mais acontecer.

“Não devolve a vida do meu filho, não devolve os sonhos que foram tirados, não devolve os abraços, os beijos e os carinhos. Mas é o mínimo que a sociedade pode trazer para a gente: a justiça”, afirmou.

O coração de Kauan continua batendo

Em meio à dor, a família tomou uma decisão que transformou a tragédia em esperança para outras pessoas: autorizou a doação dos órgãos de Kauan.

O coração foi transplantado e outros órgãos também foram destinados a pacientes que aguardavam por um transplante. Para Samille, saber que parte do filho continua ajudando outras famílias trouxe um significado diferente para a perda.

A mãe contou que teve contato com alguns dos receptores. Entre eles, está a pessoa que recebeu o coração de Kauan, que estará presente no julgamento desta quinta-feira, acompanhado da esposa.

“Ter podido fazer essa doação e conseguido, pelo menos, ressignificar um pouco dessa dor é a certeza de que a gente fez o bem também para outras famílias, mesmo tendo recebido o mal”, disse.

“Tudo faz falta”

A avó de Kauan, Sidônia Gomes, ajudou a criar o neto e descreve a relação entre os dois como uma ligação de mãe e filho.

Emocionada, ela conta que mantém fotografias do jovem ao lado da cama e que conversa com ele todos os dias.

“Eu digo: Cacau, eu te amo para sempre. Meu alento é te encontrar na eternidade”, afirmou.

Para Siônia, a ausência do neto está presente nos pequenos momentos da rotina familiar. Reuniões, conversas e até situações simples do dia a dia passaram a carregar a lembrança de Kauan.

“Não há nada que nós façamos que não sintamos a falta dele. Tudo é falta dele”, declarou.

Ela também relembrou o jeito carinhoso e obediente do neto, que, segundo a família, era querido por todos.

“Kauan é e será sempre o meu neto, filho caçula, nosso amado, amado por todos da família. Nunca vou esquecer de você, Cacau”, disse.

Família espera por justiça

Para Samille, o julgamento não será capaz de apagar a dor ou devolver o filho, mas representa a oportunidade de responsabilizar quem, segundo a acusação, participou do crime.

“Para nós, a Justiça é somente para poder encerrar um ciclo, saber que aqueles que cometeram esse ato serão punidos perante a sociedade. Para nós, enquanto família, a gente vai seguir sentindo esse vazio, essa dor. A gente não vai ser restituído, mas a sociedade precisa de resposta”, afirmou.

Nesta quinta-feira (13), familiares e pessoas próximas a Kauan acompanham o julgamento carregando a saudade de um jovem que, para eles, não será lembrado apenas pela forma como morreu, mas principalmente pela pessoa que foi em vida.

 

 

Página de Noticías

Carlos Valadares
foto Carlos Valadares
Vicente Santos é responsável pelas informações e imagens apresentadas nesta postagem.Radar News não se responsabiliza pelo conteúdo publicado.
Sou Jornalista formado desde de 2014, radialista. Sempre em busca da informação