Entregadores por aplicativo paralisam atividades nesta terça-feira em protesto por melhores condições de trabalho

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Por: Redação

Entregadores que atuam por aplicativos em diferentes regiões do Brasil paralisaram as atividades nesta terça-feira (1º) como parte do movimento Breque dos Apps. A mobilização é contra as atuais condições de remuneração oferecidas pelas plataformas e reivindica a criação de uma taxa mínima de R$ 10 para corridas curtas e R$ 2,50 por quilômetro rodado.

Na Bahia, o movimento ocorre em Salvador e Feira de Santana. A orientação da categoria é para que os trabalhadores permaneçam offline durante todo o dia. Também estão previstos buzinaços e manifestações em outras cidades do país.

Além do aumento da remuneração, os entregadores reivindicam maior transparência nos processos de suspensão e bloqueio de contas e mudanças nas regras adotadas pelas plataformas.

Categoria critica modelo “+Entregas” e bloqueios automatizados

Entre os principais pontos de insatisfação está o modelo “+Entregas”, do iFood. De acordo com informações divulgadas pela CSP-Conlutas (Central Sindical e Popular), os trabalhadores afirmam que a modalidade pode reduzir os valores recebidos por entrega e gerar impactos para aqueles que optam por não aderir ao sistema.

A categoria também questiona os mecanismos utilizados pelas empresas para suspender ou bloquear contas. Segundo os entregadores, plataformas como iFood, Keeta e outras empresas do setor adotam punições consideradas arbitrárias, muitas vezes sem apresentar informações suficientes sobre os motivos das medidas.

Outro alvo das críticas é a automatização dos processos. Os trabalhadores afirmam que decisões tomadas por sistemas dificultam a contestação de bloqueios e suspensões, deixando os profissionais sem canais adequados para apresentar defesa.

A reportagem tentou contato com a Amobitec (Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia), entidade que representa o iFood e outras empresas do setor, mas não recebeu resposta até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestação.

Entregadores também criticam PLP 152/25

Outro ponto de divergência entre parte da categoria é o Projeto de Lei Complementar (PLP) 152/25, que propõe regulamentar o trabalho realizado por meio de aplicativos de transporte e entregas no Brasil.

A proposta estabelece a categoria de “trabalhador autônomo plataformizado” e determina que não há vínculo empregatício entre o trabalhador e a empresa ou o usuário. O tema já esteve entre as principais pautas de mobilizações anteriores dos trabalhadores.

O projeto é de autoria do deputado federal Luiz Gastão (PSD-CE), e teve sua primeira versão apresentada em dezembro de 2025. O texto passou por alterações durante a tramitação. No parecer mais recente, apresentado pelo deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), é reforçada a classificação dos profissionais como trabalhadores autônomos plataformizados e a inexistência de vínculo empregatício.

Entre os pontos que geram maior controvérsia estão a contribuição de 20% a ser recolhida pelas empresas e a definição de um piso de R$ 8,50 para trajetos de até 3 quilômetros realizados de automóvel, ou de até 4 quilômetros para motocicletas, bicicletas ou deslocamentos a pé.

As mudanças recentes no texto também provocaram reações no meio político. Entre os críticos está Éden Valadares, secretário nacional de Comunicação do Partido dos Trabalhadores (PT), que se posicionou contra pontos da proposta.

 

Rovena Rosa/Agência Brasil)
foto Rovena Rosa/Agência Brasil)
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Sou Jornalista formado desde de 2014, radialista. Sempre em busca da informação