Por: Vicente Santos
Audiência pública na Câmara Municipal debate os impactos dos resíduos descartados de forma inadequada e reforça a necessidade de conscientização da população
A Câmara Municipal de Feira de Santana realizou, nesta quinta-feira (27), uma audiência pública para discutir o descarte irregular de lixo no município. A iniciativa, solicitada pelo pastor e vereador Valdemir (PP), reuniu representantes do poder público e do setor responsável pela limpeza urbana para discutir os impactos provocados pelo descarte inadequado de resíduos, especialmente materiais provenientes da construção civil.
Durante a audiência, o vereador Valdemir relatou situações observadas durante suas andanças pela cidade, com destaque para a avenida de Contorno, onde, segundo ele, é possível perceber pontos de descarte irregular. A preocupação também envolve o volume de entulhos e outros materiais de construção deixados em locais inadequados, contribuindo para a degradação dos espaços públicos e para o surgimento de problemas ambientais e urbanos.
Valdemir destacou que a responsabilidade pela limpeza da cidade não deve ser atribuída exclusivamente ao poder público. Para ele, a participação da sociedade é fundamental para garantir a conservação dos espaços públicos e evitar que áreas utilizadas para o descarte irregular se transformem em pontos permanentes de acúmulo de resíduos.
Participaram da discussão Filipe Lash, superintendente da Sustentare; Juciara Costa, da Secretaria de Meio Ambiente; Justiniano França, secretário de Serviços Públicos; e Brisa Correia, subprocuradora do Meio Ambiente.
Durante sua participação, o secretário Justiniano França chamou atenção para as consequências legais do descarte irregular de resíduos. Segundo ele, quem realiza esse tipo de prática pode responder legalmente pelos atos cometidos, diante dos danos que o descarte inadequado pode causar à cidade e ao meio ambiente.
A representante da Secretaria de Meio Ambiente, Juciara Costa, também ressaltou os prejuízos ambientais provocados pelo descarte irregular. A situação, conforme foi discutido, torna-se ainda mais preocupante durante o período chuvoso, quando resíduos e entulhos podem ser carregados pela água, obstruir sistemas de drenagem e contribuir para alagamentos e outros transtornos urbanos.
Mais do que fiscalização, é preciso educar
Embora a realização da audiência pública represente um importante espaço de debate, o problema do descarte irregular de lixo exige uma discussão ainda mais ampla por parte do município. Fiscalizar e punir são medidas necessárias, mas não suficientes para mudar uma realidade que também está relacionada à falta de informação e de consciência ambiental.
É preciso investir de forma permanente em educação ambiental, utilizando escolas, campanhas públicas, associações comunitárias e os meios de comunicação para orientar a população sobre os locais corretos para o descarte de resíduos e os riscos provocados pela deposição irregular.
A formação de uma sociedade mais consciente começa também dentro de casa. Os hábitos aprendidos no ambiente familiar podem influenciar diretamente a maneira como crianças e jovens irão se relacionar com a cidade e com o meio ambiente. Ensinar desde cedo que a rua, a praça, o canal, o terreno baldio e os demais espaços públicos pertencem a todos é uma forma de construir uma cultura de responsabilidade coletiva.
Feira de Santana enfrenta o desafio de conciliar crescimento urbano, preservação ambiental e qualidade de vida. Para isso, será necessário aproximar poder público e população em torno de uma mesma responsabilidade: manter a cidade limpa não apenas por obrigação, mas por consciência.
A audiência pública colocou o tema em evidência. O próximo passo, porém, precisa ser transformar o debate em ações concretas de fiscalização, orientação e educação. Afinal, uma cidade limpa não é resultado apenas do trabalho de quem recolhe o lixo, mas também da atitude de quem decide onde e como descartá-lo.





