Lola Baird pediu ao namorado que encostasse o carro depois de cerca de 40 minutos de viagem. Aos 24 anos, ela nunca tinha sentido enjoo de movimento, mas passou a ficar nauseada em trajetos mais longos depois que o namorado comprou um veículo elétrico..
O mal-estar se tornou tão intenso que Lola chegou a pedir que ele trocasse de carro. Outras pessoas contaram à BBC que elas ou seus filhos também sentem mais enjoo quando viajam como passageiros em veículos elétricos.
Os relatos não são unânimes. Há motoristas e passageiros que dizem não ter esse problema e outros que afirmam sentir menos enjoo em carros elétricos do que em veículos convencionais. Por isso, a experiência de algumas pessoas não permite concluir que os elétricos causem mais cinetose, nome dado ao enjoo provocado pelo movimento.
O que pode estar por trás
Uma hipótese envolve o modo como o cérebro interpreta o deslocamento. A visão, o ouvido interno, ligado ao equilíbrio, e as sensações do corpo ajudam a perceber o movimento. Quando essas informações não parecem combinar, algumas pessoas podem sentir náusea e tontura.
Dentro de um carro, o passageiro pode perceber que está em movimento pelo que vê pela janela, mas não acompanhar a trajetória da mesma forma que o motorista. O celular e a leitura também podem desviar o olhar da estrada e aumentar essa diferença entre os sinais recebidos pelo corpo.
Nos veículos elétricos, o motor costuma ser mais silencioso e produzir menos vibrações do que os motores a combustão. Para alguns especialistas ouvidos pela BBC, a ausência desses sinais pode dificultar a percepção de acelerações e mudanças de velocidade. Essa é uma explicação possível para os relatos, mas ainda não comprova uma ligação direta entre o tipo de carro e o enjoo.
Aceleração e frenagem
A resposta rápida ao acelerador também pode influenciar o conforto durante a viagem. Alguns veículos elétricos aceleram e desaceleram com rapidez. Se o motorista alternar essas mudanças de forma brusca, o passageiro pode sentir mais os movimentos do carro.
Outro ponto citado é a frenagem regenerativa, sistema que reduz a velocidade e recupera parte da energia do veículo. Dependendo da configuração e da forma de dirigir, a desaceleração pode ser percebida com mais frequência. Para quem já é sensível ao movimento, esse padrão pode contribuir para o desconforto.
A condução, no entanto, também importa. Aceleradas e frenagens suaves podem tornar a viagem mais confortável, independentemente do modelo do carro. Além disso, a sensibilidade à cinetose varia entre as pessoas e pode ter influência genética. Crianças e mulheres estão entre os grupos mais suscetíveis, segundo os especialistas citados pela BBC.
Como reduzir o desconforto
Olhar para a estrada ou pela janela da frente pode ajudar algumas pessoas a acompanhar o movimento do carro. A recomendação é evitar ler ou usar o celular durante a viagem e manter a cabeça apoiada e estável. Abrir a janela também pode trazer alívio para alguns passageiros.
O lugar no veículo pode fazer diferença: um assento que permita enxergar a estrada à frente tende a oferecer mais referências visuais do que um ponto em que a visão fique bloqueada. Também vale conversar com o motorista sobre manter uma condução mais gradual, sem acelerações ou frenagens repentinas.
Essas medidas não funcionam da mesma forma para todo mundo. Os relatos reunidos pela BBC indicam que alguns passageiros sentem enjoo em veículos elétricos, enquanto outros viajam sem desconforto. Até que novas pesquisas esclareçam a questão, a relação entre carros elétricos e cinetose deve ser tratada como uma hipótese, não como uma causa comprovada.
Matéria do site correio 24h





