Liberdade é direito, palco nacional vira mensagem errada
O goleiro Bruno entrou em campo pelo Vasco do Acre na Copa do Brasil, empatou em 1 a 1 com o Velo Clube e caiu nos pênaltis, após defender duas cobranças e converter a sua. A cena foi legal do ponto de vista esportivo, mas brutal do ponto de vista simbólico: uma competição nacional servindo de vitrine para um personagem cuja história pública contamina qualquer leitura inocente.
O debate sobre ressocialização é legítimo, e ninguém deveria tratá-lo como tabu. Só que futebol não é emprego comum, ele é fama, idolatria e projeção. Quando você recoloca no centro do espetáculo alguém cuja trajetória pública está marcada por violência, a mensagem não é sobre recomeço, é sobre como o jogo aceita qualquer coisa em troca de holofote.
O próprio roteiro escancara o cálculo. Clubes pequenos ganham minutos de mídia, reações previsíveis nas redes, protestos, patrocinadores inquietos, e a bola vira detalhe. No fim, não se discute defesa, posicionamento e leitura de chute, discute-se a atração. Isso não é esporte, é exploração.
A ressocialização pode existir sem a reencenação do poder. Voltar ao gramado, para quem construiu poder justamente no gramado, tem um peso que a burocracia não mede. E é aí que o futebol brasileiro falha, quando confunde permissível com aceitável.
Fonte: blog do Alliatti/ Folha do Estado







