Em dez meses, programa levou a tecnologia para 49% das 2,6 mil unidades de ensino existentes nas comunidades tradicionais no Brasil, beneficiando mais de 86 mil alunos
O projeto Aprender Conectado alcança um marco histórico na promoção da inclusão digital no Brasil: a integração de mil escolas quilombolas à internet de alta velocidade. A iniciativa representa um avanço concreto na redução das desigualdades educacionais e no fortalecimento das comunidades tradicionais por meio do acesso à tecnologia.
Ao todo, 86.080 alunos em todo o país foram beneficiados pela conexão de 1.005 escolas quilombolas em 275 municípios – 16 no Centro-Oeste, 784 no Nordeste, 87 no Norte, 95 no Sudeste e 23 no Sul – o que representa 49% do total de 2.601 escolas quilombolas indicadas pelo Censo Escolar do IBGE em 2024.
“A chegada da internet de alta velocidade às escolas quilombolas amplia possibilidades pedagógicas, fortalece a formação de professores, viabiliza o uso de plataformas educacionais digitais e permite maior integração das comunidades ao educacional brasileiro”, afirma Flávio Santos, diretor-geral da Entidade Administradora da Conectividade de Escolas (Eace), responsável pela execução do Aprender Conectado.
A conectividade nos territórios quilombolas representa também um vetor de desenvolvimento comunitário. Ao garantir acesso à internet, as escolas tornam-se polos de inclusão digital, beneficiando não apenas os alunos, mas também famílias e moradores locais. “Para nós, esse marco simboliza o reconhecimento da importância estratégica das comunidades quilombolas para a diversidade cultural e social do país”, diz Santos.
Presente em territórios historicamente marcados por desafios estruturais e limitações de infraestrutura, o Aprender Conectado leva conectividade a unidades de ensino situadas em áreas isoladas, garantindo acesso estável e de qualidade para estudantes, professores e gestores escolares. Em escolas onde não há abastecimento de energia elétrica, o projeto instala gerador de energia solar para garantir o funcionamento da internet e fornecer iluminação às salas de aula.
Para Marceliane Mota Miranda, gestora da Escola de Ensino Fundamental Afro-Amazônida, no Quilombo de Murumuru, em Santarém, no oeste do Pará, a chegada da banda larga permitiu à escola ampliar seus recursos pedagógicos e incorporar ferramentas digitais ao processo de ensino, além de fortalecer práticas voltadas à valorização da identidade e cultura quilombola. “Ter uma internet de qualidade significa muito. Os professores dependem da tecnologia para acessar conteúdos que não estão disponíveis em livros. É difícil encontrar imagens, danças antigas tradicionais dos quilombolas e outras histórias da nossa cultura em livros”, explica.
Na Bahia, em Feira de Santana, o acesso à banda larga na Escola Municipal Quilombola Luiz Pereira dos Santos permitiu que os alunos finalmente pudessem usar os equipamentos digitais nas aulas. “Agora, com a internet de qualidade disponibilizada dentro da própria escola, os alunos podem acessar quizzes e jogos online, fazer pesquisas e participar de aulas direcionadas”, afirma Maria da Conceição Moreira Gonçalves, gestora da unidade.
Estratégia Nacional
O Projeto Aprender Conectado tem por objetivo levar internet de alta velocidade para cerca de 40 mil instituições públicas de ensino localizadas em áreas remotas do país. A iniciativa integra a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), política pública coordenada pelo Ministério da Educação e Ministério das Comunicações, para garantir internet de alta velocidade em 138 mil escolas em todo o Brasil.
Fonte: Ascom







