APLB cobra cumprimento de acordos e gestão municipal é questionada na Câmara de Feira de Santana

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Por: Vicente Santos 

Sindicato dos professores denuncia problemas na rede municipal de ensino e pede fiscalização das escolas; vereador José Carneiro também cobra explicações sobre pagamentos feitos pela entidade a consultoria jurídica investigada pelo MP-BA

A presidente da APLB Sindicato em Feira de Santana, professora Marlede Oliveira, subiu o tom contra a gestão municipal durante sessão da Câmara de Vereadores nesta quarta-feira (12). A dirigente cobrou responsabilidade, comprometimento e respeito por parte da Secretaria Municipal de Educação e do secretário Pablo Roberto, além de reivindicar o cumprimento de acordos firmados com a categoria.

Segundo Marlede, um acordo assinado entre os trabalhadores da educação e a gestão municipal em agosto de 2025 estabelecia prazos para o atendimento de diversas reivindicações. De acordo com a sindicalista, o prazo para cumprimento dos pontos acordados terminou em novembro do ano passado, mas parte das demandas ainda não teria sido solucionada.

“Esse acordo foi assinado em agosto de 2025, não fizemos paralisação, nem greve. Tivemos ao menos quatro audiências, mas as questões não foram resolvidas”, afirmou. Uma nova reunião entre a categoria e a administração municipal estava prevista para as 16h desta quarta-feira (12).

Diante da falta de avanços, a categoria decidiu, em assembleia geral, pela paralisação das atividades. Marlede também criticou a demissão de servidores que, segundo ela, participaram de discussões relacionadas aos interesses da categoria. Entre os casos citados está o da diretora da Escola Almira Pereira Lago, localizada na região do Campo do Gado Novo.

A dirigente sindical pediu ainda que a Comissão de Educação da Câmara Municipal realize visitas às unidades da rede pública para verificar presencialmente as condições de funcionamento das escolas. Entre os problemas apontados estão a falta de professores e cuidadores, reclamações relacionadas à qualidade da alimentação escolar e o não cumprimento da tabela salarial dos profissionais do magistério.

Marlede também afirmou que o município deve receber, neste ano, cerca de R$ 590 milhões em recursos do Fundeb, mas, segundo ela, os salários pagos aos profissionais da educação de Feira de Santana seriam inferiores aos praticados em municípios como Irará, Santo Estêvão, Santa Bárbara e Coração de Maria.

A presidente da APLB citou ainda um estudo do Dieese segundo o qual as perdas salariais acumuladas por profissionais com formação de mestrado e doutorado em Feira de Santana ultrapassariam 90%. Para a sindicalista, a solução dos conflitos passa pela negociação e pelo cumprimento dos compromissos assumidos pela administração.

“Os problemas se resolvem é sentando, negociando e cumprindo acordos”, defendeu Marlede, destacando que a entidade possui 74 anos de existência e tem entre suas atribuições a defesa da educação pública e gratuita e a valorização dos profissionais da área.

Vereador cobra prestação de contas da APLB

Durante a mesma sessão, o vereador José Carneiro (União), líder da Bancada de Governo, levantou outro questionamento envolvendo a entidade. O parlamentar cobrou da APLB explicações aos filiados sobre pagamentos realizados a uma consultoria jurídica que, segundo ele, teria sido alvo de uma operação recente do Ministério Público da Bahia (MP-BA).

De acordo com José Carneiro, a investigação envolve advogados suspeitos de crimes como falsidade ideológica e organização criminosa. O vereador afirmou ainda que um dos escritórios mencionados na investigação teria entre seus integrantes um advogado que se apresenta nas redes sociais como diretor da APLB.

Ainda segundo o parlamentar, a consultoria teria recebido aproximadamente R$ 2,9 milhões da entidade. José Carneiro defendeu que a APLB apresente aos filiados informações sobre os pagamentos, os serviços contratados e a destinação dos recursos.

“Esse dinheiro foi repassado e a APLB não diz para onde foi e o porquê”, afirmou o vereador durante o discurso.

As declarações do parlamentar acrescentaram um novo ponto de tensão ao debate na Câmara Municipal, que envolveu tanto as reivindicações dos profissionais da educação quanto questionamentos sobre a administração dos recursos da entidade sindical.

Até o momento, as acusações e questionamentos apresentados na sessão devem ser tratados como manifestações dos respectivos autores. Eventuais irregularidades relacionadas aos pagamentos mencionados dependem de apuração pelos órgãos competentes e de esclarecimentos formais da APLB e dos demais envolvidos.

Foto: Vicente Santos
foto Foto: Vicente Santos
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Sou Jornalista formado desde de 2014, radialista. Sempre em busca da informação