O vereador de Alagoinhas Alexandre Alves da Silva Leite (MDB), conhecido como Xandinho, foi alvo de um mandado de busca e apreensão em sua casa na manhã desta quinta-feira (6). Conforme apurado pelo BNEWS, ele é investigado pela Polícia Civil da Bahia por suposta ligação com uma liderança da facção criminosa Bonde do Maluco (BDM), apontada por comandar o tráfico de drogas no município, localizado no Litoral Norte baiano.
Uma decisão obtida pela reportagem, assinada em 19 de outubro deste ano pela juíza Renata Santos Nadyer Barbosa, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Alagoinhas, autorizou o cumprimento dos mandados em endereços ligados aos investigados, incluindo a residência do parlamentar.
A decisão atende a um pedido da Polícia Civil, por meio da 2ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (2ª Coorpin), que solicitou autorização para recolher drogas, armas, munições, celulares, mídias digitais e documentos relacionados à investigação.
Em sua defesa, o vereador afirma que não foram apresentadas provas de prática de ato ilícito e que seu celular foi entregue voluntariamente às autoridades (veja a íntegra da nota no fim da matéria). Procurada pela reportagem, a presidência da Câmara informou que não vai se manifestar sobre o assunto.
Vereador é citado em investigação sobre facção
De acordo com os elementos apresentados pela Polícia Civil à Justiça, a investigação teve origem em uma denúncia anônima recebida pelo Disque Denúncia em 23 de setembro de 2024. A comunicação apontava a existência de um intenso comércio de drogas na localidade conhecida como Bananal, no bairro Parque Santa Maria, em Alagoinhas.
Segundo o relato, a atividade seria coordenada por um homem conhecido como “Fon”, em um terreno murado próximo à Igreja Evangélica Filho de Jerusalém. O espaço teria cerca elétrica e câmeras de monitoramento, além de olheiros que utilizavam radiocomunicadores para acompanhar a movimentação na região.
Após diligências, a Polícia Civil identificou “Fon” como Alisson Santos de Jesus, apontado no relatório policial como liderança local da facção criminosa Bonde do Maluco (BDM).
O relatório também identificou envolvimento de Xandinho. Conforme a investigação, o vereador teria proximidade com o líder comunitário investigado e patrocinaria frequentemente eventos musicais com paredões no espaço conhecido como Casa de Eventos MeM, localizado na Rua Elpídio Honorato, no Bananal.
“A denúncia fez menção, ademais, à existência de olheiros munidos de radiocomunicadores e à atuação de apoiadores locais do agente político conhecido como ‘Xandinho’, inclusive com relatos de ameaças a munícipes e prática de agiotagem”, diz trecho da decisão judicial.
“O mesmo relatório confirmou a qualificação de ‘Xandinho’ como Alexandre Alves da Silva Leite, descrevendo relações de proximidade com o líder comunitário investigado e o patrocínio frequente de eventos musicais”, relata a magistrada em outro trecho da decisão.
O que a investigação aponta sobre Xandinho
A decisão judicial menciona a existência de interesses cruzados entre o parlamentar e integrantes do grupo investigado. Os policiais também apontaram o patrocínio de eventos realizados no espaço de festas da localidade como um dos elementos considerados durante a apuração.
A residência de Alexandre Alves da Silva Leite, localizada no Condomínio Viva Alagoinhas, foi incluída entre os endereços para os quais a Polícia Civil solicitou mandado de busca e apreensão.
O documento destaca que a medida foi autorizada após a análise individualizada dos elementos reunidos pela investigação, com avaliação da relação entre cada investigado e os imóveis indicados.
Oito pessoas são investigadas
Além de Xandinho e Alisson Santos de Jesus, a investigação identificou outros seis suspeitos: Wellington de Jesus Santos, conhecido como “Louro”; Cintia Souza Silva; Luiz Mendes de Souza, o “Luizinho”; Mauricio Sales de Abreu; Uidinei Souza Guedes, conhecido como “Nei Tabaco”; e Wailson Marcilio Santos Souza.
Segundo o relatório policial, o grupo teria funções específicas na comercialização e distribuição de entorpecentes, além de atuação em ações violentas. As apurações também apontaram que a Casa de Eventos MeM e as imediações seriam utilizadas para a comercialização de drogas e ocultação de dinheiro.
Outro ponto mencionado é a utilização de um Fiat Fastback Turbo, de cor prata, por Alisson. O veículo está registrado em nome de Mauricio Sales de Abreu, apontado como tio da companheira do investigado. Para a Polícia Civil, a situação levantou suspeitas de ocultação de patrimônio e dissimulação de bens supostamente obtidos com o tráfico de drogas.
Os investigados podem responder por tráfico de drogas e associação para o tráfico, em apuração que envolve um grupo estruturado para a comercialização de entorpecentes e dissimulação de patrimônio.
O que diz o vereador?
O BNews procurou o vereador Xandinho para esclarecer as circunstâncias do cumprimento do mandado de busca e apreensão em sua residência, sua relação com o chefe do Bonde do Maluco (BDM), e o possível vínculo com a Casa de Eventos MeM, no Bananal, mencionada na investigação como um dos locais utilizados para a comercialização de drogas e ocultação de dinheiro.
O parlamentar, no entanto, não respondeu aos questionamentos. A reportagem teve acesso a uma nota divulgada pela defesa do vereador, na qual os advogados confirmam que ele foi alvo de busca e apreensão na manhã de quinta.
A defesa afirma que, até o momento, não foram apresentadas provas de prática de ato ilícito pelo parlamentar e informa que o aparelho celular foi entregue voluntariamente às autoridades. O escritório também ressalta que o cumprimento de mandado judicial não representa comprovação de culpa e reafirma a confiança na Justiça e na presunção de inocência.
A presidência da Câmara também foi procurada e informou que não vai se manifestar sobre o assunto.
Leia a íntegra da nota da defesa do parlamentar:
“NOTA OFICIAL
O Escritório JOSÉ CASTRO ADVOCACIA ESPECIALIZADA, responsável pela defesa de ALEXANDRE ALVES DA SILVA LEITE, popularmente conhecido como Vereador XANDINHO, vem a público esclarecer que seu constituinte foi surpreendido, na manhã desta quinta-feira (05/11), com o cumprimento de um mandado de busca e apreensão, no âmbito de investigação que tramita sob segredo de justiça.
A defesa ressalta que, até o presente momento, não lhe foi apresentada qualquer prova de prática de ato ilícito pelo vereador, destacando que o cumprimento de mandado judicial não representa comprovação de culpa.
Esclarece, ainda, que o aparelho celular foi entregue voluntariamente às autoridades, demonstrando plena disposição em colaborar com a Justiça.
A defesa repudia a disseminação de notícias falsas e especulações nas redes sociais, advertindo que a divulgação de informações falsas que atinjam a honra e a imagem do vereador poderá configurar ilícitos civis e criminais, sujeitando seus responsáveis às medidas judiciais cabíveis.Por fim, reafirma sua confiança na Justiça, na presunção de inocência e no devido processo legal, certa de que a verdade será esclarecida no momento oportuno.”
Fonte: Bnews





