Localidades de Beiru/Tancredo Neves e Pernambués estão entre as mais populosas do país.
Feira de Santana possui 49 favelas e 44.699 moradores vivendo nessas localidades, segundo dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na terça-feira (3). Os números colocam o município como o segundo da Bahia com maior quantidade de favelas e o quarto em número de habitantes residentes nessas áreas.
De acordo com o levantamento, Salvador concentra 262 favelas, seguida por Feira de Santana, com 49. Na sequência aparecem Camaçari, com 47 localidades, Lauro de Freitas, com 35, e Itabuna, com 34. Ao todo, a Bahia contabilizou 572 favelas, distribuídas em 28 dos 417 municípios do estado.
Em relação à população residente, Feira de Santana também ocupa a quarta posição entre os municípios baianos. Salvador lidera, com 1.033.258 moradores em favelas, seguida por Ilhéus, com 64.364, Camaçari, com 54.526, e Feira de Santana, com 44.699. Lauro de Freitas aparece em seguida, com 42.079 habitantes.
O Censo identificou 1,37 milhão de pessoas vivendo em favelas na Bahia em 2022, o equivalente a 9,7% da população estadual. Com esse contingente, o estado apresenta a quarta maior população residente nessas localidades no país e concentra 4,6% das 12.348 favelas identificadas no Brasil.
Salvador reúne a maior parte dessa população. Na capital, 1.033.258 pessoas vivem nessas áreas, o que representa 42,7% dos moradores do município. As cinco favelas mais populosas da Bahia também estão localizadas em Salvador: Beiru/Tancredo Neves, com 38.871 habitantes; Pernambués, com 35.110; Valéria, com 21.635; Bairro da Paz, com 20.509; e Santa Cruz, com 19.833 moradores.
Fora da capital, a maior favela baiana é Teotônio Vilela, em Ilhéus, que registrou 12.788 habitantes.
Desigualdades sociais e de infraestrutura
Os dados do IBGE também apontam diferenças no perfil da população que vive em favelas na Bahia. Nesses territórios, as mulheres representam 53,4% dos moradores, enquanto na população geral do estado o percentual é de 51,7%.
A proporção de pessoas com 60 anos ou mais é menor nas favelas: 12,7%, diante de 15,3% no conjunto da população baiana. Já a população que se autodeclara preta representa 39,2% dos moradores dessas localidades, quase o dobro do percentual registrado no estado, de 22,4%.
O levantamento também evidencia desigualdades na infraestrutura urbana. Nas favelas baianas, apenas 40,1% dos moradores vivem em ruas com calçadas ou passeios. Fora dessas áreas, o índice chega a 78,8%.
Em relação à arborização, 74,5% dos moradores de favelas vivem em ruas sem árvores, enquanto o percentual entre a população residente fora desses territórios é de 51,8%.
A acessibilidade também aparece como um dos pontos de desigualdade. Apenas 1,5% dos moradores de favelas vivem em vias com rampas para cadeirantes, percentual inferior aos 10,9% registrados nas demais áreas urbanas da Bahia.
Segundo o IBGE, são classificadas como favelas as localidades em que predominam domicílios com insegurança jurídica da posse e que apresentam pelo menos uma característica de precariedade urbana, como deficiência na oferta de serviços públicos, infraestrutura fora dos padrões urbanísticos estabelecidos ou ocupação de áreas não permitidas pela legislação.
Fonte: Folha do Estado





