EVANDRO CARDOSO: UM MÉDICO COM MÚLTIPLAS ATIVIDADES ARTÍSTICAS

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A coluna Feira em História, assinada pelo jornalista Zadir Marques Porto, traz fatos históricos e curiosos sobre a cidade 

Incomum na sua generalidade de conhecimentos e, por tal, incompreendido por alguns, ele acumulou anos de estudo e prática na psiquiatria, ao lado do talento nato, que distribuía escrevendo, cantando, palestrando, pintando, desenhando e esculpindo. Evandro Cardoso preencheu sua existência com sabedoria, e, ao deixá-la, por certo foi convicto de tê-la feito útil e proveitosa.

Fácil e difícil descrevê-lo, o que pode parecer algo paradoxal, para quem não o conheceu de perto, ou apenas parcialmente, não alcançando a sua intimidade intelectual. Baixa estatura, esbelto, tez morena, cabelos crespos, às vezes descuidados, Evandro Cardoso, um dos fundadores e membro efetivo da Academia Feirense de Letras (AFL), onde ocupou a Cadeira número 4, com o patronato do poeta baiano Castro Alves, foi uma figura ímpar na comunidade, marcando seu espaço com atitudes peculiares.

Soteropolitano, filho do casal Cícero Gualberto Cardoso e Maria Conceição Cardoso, Evandro mostrou, desde os primeiros passos, uma incomum determinação para o saber, até mesmo extrapolando o que seria convencional. Estudioso e com rara facilidade de absorção dos temas acadêmicos, formou-se em psiquiatria em 1967 pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e, na mesma época, foi professor do Seminário Central. Na capital baiana, também atuou como professor do Ginásio Coração de Jesus, do Centro Operário e do CAEC. Extremamente participativo, integrou a seção baiana do Instituto Brasileiro de Filosofia (IBF), bem como o Centro Brasileiro de Estudos Estéticos, o Centro de Estudos do Pensamento e Ação e a Sociedade de Escritores Médicos.

Aqui em Feira de Santana, onde se radicou com amplo trabalho profissional e a formação de um grande ciclo de amizades, foi fundador do Grupo de Estudos Professor Arlindo Pitombo. Destacou-se não apenas como profissional da área médica – especialista em psiquiatria –, como também na literatura, publicando os livros: “A Teatralidade do Sexo à Luz de uma Análise Biológica”, “Como Analisar a Esquizofrenia diante do Teatro-sexo-afeto” e “Da Psicologia à Psiquiatria”. Também poeta, foi um dos participantes do livro “Florilégio Poesias”, de Alberto Alves Boaventura, além de ter sido, durante bom tempo, colunista dos jornais Folha do Norte, Mensagem e Fé e da revista Festa e Arte.

Na música, foi um tenor lírico de valor reconhecido, com um repertório seleto, no qual incluía, como indispensável, a Ave Maria. Mostrava seus amplos conhecimentos gerais em tertúlias, como ele gostava de citar, saraus e recitais. Era bom conferencista e, na sua pluralidade nata de generalista, Evandro Cardoso dominava com absoluta facilidade segmentos das artes plásticas, como a pintura, em diferentes técnicas, o desenho e a escultura em madeira, com peças que receberam os mais elogiosos comentários. Algumas esculturas de figuras humanas, inclusive pessoas da comunidade, mostraram o seu incomum talento.

O médico psiquiatra Evandro Cardoso, nascido em Salvador em 20 de setembro de 1937, faleceu em Feira de Santana aos 81 anos de idade, em 24 de novembro de 2018, como Cidadão Feirense, título merecidamente outorgado pela Câmara de Vereadores de Feira de Santana. Além disso, ainda em vida, foi homenageado pela cidade, através do vereador Otto Filho, que, mediante o Projeto de Lei 10/87, nominou Rua Dr. Evandro Cardoso o local onde ele residia, no bairro dos Eucaliptos.

 

 

Fonte: PMFS

Divulgação Arquivo ZMP
foto Divulgação Arquivo ZMP
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Sou Jornalista formado desde de 2014, radialista. Sempre em busca da informação