O julgamento de Elisângela Almeida de Oliveira, acusada de matar uma mulher e as duas filhas dela por envenenamento em Maragogipe, no Recôncavo baiano, foi adiado. A sessão do Tribunal do Júri estava marcada para esta quarta-feira (7), mas precisou ser remarcada devido à impossibilidade de comparecimento da ré.
Segundo informações do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), Elisângela está internada no Hospital Aristides Maltez, em Salvador, e, por isso, não pôde comparecer à sessão. O julgamento foi remarcado para o dia 2 de dezembro deste ano, às 8h, no Fórum Ruy Barbosa, na capital baiana.
Elisângela é acusada de envenenar Adriane Ribeiro Santos, de 23 anos, e as duas filhas da vítima, Greisse Santos da Conceição, de 5 anos, e Ruteh Santos da Conceição, de 2 anos, entre julho e agosto de 2018.
De acordo com as investigações, a suspeita teria passado a demonstrar interesse pelo marido de Adriane, Jefferson Eduardo Brandão, de 29 anos à época, o que teria provocado um desentendimento entre as duas mulheres. Elisângela, então, teria misturado um inseticida de uso agrícola aos alimentos oferecidos às vítimas. O cachorro da família também foi envenenado e morreu.
Elisângela foi presa em outubro de 2018 e encaminhada ao Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador. Além dela, o marido, Valci Boaventura Soares, também foi detido.
A acusada recebeu liberdade provisória em abril de 2024 devido ao seu quadro de saúde. Na época, ela apresentava problemas relacionados à bexiga neurogênica e fazia uso de sonda. Elisângela também passou por internações em decorrência do agravamento de seu estado de saúde.
Elisângela e Valci haviam se aproximado de Adriane e do marido, Jefferson Eduardo Brandão, por meio da igreja frequentada pelo casal.
Com o avanço das investigações, no entanto, não foram reunidos elementos suficientes para sustentar uma acusação criminal contra Valci, que acabou sendo solto.
O crime
O que inicialmente parecia uma sequência de tragédias inexplicáveis se transformou em uma investigação complexa, marcada por exumações, laudos toxicológicos, prisões e uma acusação que aponta obsessão amorosa como motivação para os crimes. O primeiro episódio aconteceu em 30 de julho de 2018.
Naquele dia, Gleysse Kelly passou mal repentinamente e foi levada para um hospital em São Félix. A menina apresentava intensa salivação e hiperglicemia, quadro caracterizado pelo excesso de açúcar no sangue. Apesar dos esforços médicos, ela morreu poucas horas depois. Como os exames iniciais não apontaram sinais claros de violência, a morte chegou a ser tratada como natural.
Uma semana depois, em 6 de agosto, a tragédia voltou a atingir a família. Ruteh, irmã mais nova de Gleysse, também passou mal e foi socorrida às pressas para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Maragogipe. Ela chegou desacordada à unidade de saúde e morreu no mesmo dia. A repetição dos sintomas começou a despertar dúvidas entre médicos e investigadores.
Ainda abalada pela perda das filhas, Adriane tentava lidar com o luto quando passou mal na noite de 13 de agosto, novamente uma segunda-feira. A marisqueira apresentava quadro semelhante ao das crianças, com excesso de secreção pela boca, suor intenso e mal-estar súbito. Ela foi levada para a mesma UPA, mas também não resistiu.
Em setembro de 2018, após autorização judicial, os restos mortais de Gleysse e Ruteh foram retirados dos túmulos para análises complementares.
Os depoimentos reunidos pela polícia apontaram que Elisângela teria participado do preparo ou da entrega de alimentos consumidos pelas vítimas antes de cada um dos episódios fatais.
Fonte: Correio 24 Horas





