Laudo do IML aponta causa da morte do cineasta baiano Ricardo Spencer

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O Instituto Médico-Legal (IML) de São Paulo concluiu o laudo sobre a morte do cineasta e diretor baiano Ricardo Spencer. O documento aponta morte súbita compatível com epilepsia e descarta sinais de violência, consumo de álcool ou drogas. Ricardo faleceu aos 49 anos, em 20 de julho deste ano, em um apartamento localizado no Edifício Copan, na capital paulista.

Segundo o laudo, a suspeita é de que o falecimento tenha decorrido de SUDEP (morte súbita inesperada em epilepsia), fenômeno que ocorre de forma repentina e na qual a necropsia frequentemente não demonstra alterações anatômicas específicas. O histórico médico do cineasta, que convivia com a condição, havia sido informado às autoridades por seu irmão.

Não foram encontradas lesões corporais que pudessem indicar agressão, tampouco fraturas no crânio, hematomas, hemorragias ou marcas de violência. Policiais militares e civis que atenderam à ocorrência no local já haviam descartado indícios de arrombamento, luta corporal ou qualquer outra forma de violência no ambiente.

A análise toxicológica do sangue não detectou a presença de álcool etílico, praguicidas ou substâncias entorpecentes. No entanto, foram encontrados vestígios de carbamazepina, medicamento anticonvulsivante de uso comum no tratamento da epilepsia.

De acordo com o documento, a presença da substância é compatível com o tratamento médico regular e, na ausência de análise quantitativa e de outros elementos indicativos de intoxicação, não há indícios de que o fármaco tenha causado o óbito.

Ricardo Spencer foi encontrado sem vida após não responder a ligações e chamados de familiares e colegas de trabalho. Como estava sozinho no apartamento no momento do falecimento, a Polícia Civil registrou inicialmente o caso como morte suspeita, procedimento padrão adotado pelas autoridades quando não há testemunhas do óbito.
Quem foi Ricardo Spencer?
Neto da atriz Nilda Spencer e natural de Salvador, Ricardo começou sua trajetória no meio artístico ainda na faculdade. Se formou em Artes e, mais tarde, mudou para os Estados Unidos para se especializar em Estética do Cinema pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA).

Antes de brilhar na dramaturgia, Ricardo se consolidou como um dos nomes mais respeitados na direção de videoclipes. Trabalhou com uma lista extensa de grandes artistas nacionais, como Pitty, Rita Lee, Criolo, Emicida, Sandy, Vanguart, Boogarins e Cachorro Grande. Além disso, também conseguiu integrar projetos internacionais, a exemplo da cantora norueguesa Aurora e da banda norte-americana Sebadoh.

Entre seus projetos mais emblemáticos está o clipe de “Flutua” (2017), parceria de Johnny Hooker e Liniker, considerado como um dos trabalhos audiovisuais contemporâneos mais importantes da música brasileira.

Na última década, o diretor baiano esteve trabalhando em produções da TV Globo. Na emissora, integrou a equipe de direção da novela “Segundo Sol” (2018) – trama ambientada na Bahia, estrelada por Emílio Dantas, Giovanna Antonelli, Chay Suede e Nanda Costa –, e de diversas séries e filmes de sucesso, incluindo “Mister Brau” (2015), “Shippados” (2019), “Todas as Mulheres do Mundo” (2020), “Amor e Sorte” (2020), “Cine Holliúdy” (2019) e “Vermelho Sangue” (2025).

Um dos seus trabalhos mais conhecidos é a série “Segunda Chamada” (2019). Com direção de Spencer, a obra ganhou o prêmio de melhor série do ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) em 2020, além de uma prestigiosa indicação na mesma categoria no International Emmy Awards de 2021.
Entre seus próximos projetos, estava uma nova produção para audiovisual da Netflix.

 

Fonte: Correio 24 Horas

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