O Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou integrantes da presidência e da diretoria da Bamor, principal torcida organizada do Esporte Clube Bahia, pelos crimes de organização criminosa, tortura, roubo, extorsão e ameaça.
Dez pessoas foram presas no dia 28 de setembro, durante uma operação que investigava integrantes da torcida organizada. A denúncia foi protocolada na última sexta-feira (2) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), como resultado da Operação Inquisição.
Os denunciados permanecem presos preventivamente no Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador. Matheus Pires Castro, presidente da Bamor, e o vice-presidente, Luciano da Silva Venâncio, estão entre os presos.
O MP-BA pede a condenação dos denunciados pelos crimes atribuídos a cada um, a manutenção das prisões preventivas e o pagamento de indenização às vítimas por danos materiais e morais no valor de R$ 2 milhões. Segundo a acusação, os denunciados integravam uma estrutura criminosa estável, organizada e com divisão de funções.
Ações dos envolvidos nos crimes
A promotora de Justiça do Ministério Público da Bahia, Thelma Leal, afirmou que os dez integrantes presos teriam participado das agressões, em diferentes níveis de envolvimento.
“Entre os dez presos está a cúpula da Bamor. Todos os diretores e presidentes estão presos. A gente espera que, com isso, a Bamor inaugure uma nova era de verdade, que a Bamor busque novas lideranças, a pacificação e que a gente possa tratar agora com seres humanos, de verdade, que busquem a paz e não com atos de selvageria tão graves como esse que aconteceu e que está sob mira da operação”, comentou.
Segundo a denúncia, os crimes teriam ocorrido em julho deste ano. Os denunciados são acusados de utilizar a estrutura da torcida organizada para submeter duas pessoas a sessões de violência física e psicológica, com o objetivo de obter confissões sobre supostas irregularidades relacionadas ao sistema de gestão de associados da Bamor.
De acordo com Thelma Leal, a primeira vítima foi convidada a comparecer à sede da torcida para prestar esclarecimentos sobre assuntos internos. Segundo a promotora, as agressões começaram no local. A segunda vítima também teria sido submetida a violência e teve o celular levado durante o episódio.
“O primeiro foi convidado para a sede e não desconfiou porque era associado. Lá pediram para ele confessar a prática desse desfalque, um valor relativamente baixo, e como ele não confessou, começaram as sessões de tortura com espancamento, simulação de afogamento com sacos plásticos, perfuração das mãos, que é uma coisa absurda. Também utilizaram taco de beisebol, marteladas, foram algumas horas de muita tortura. No dia seguinte, pegaram a outra vítima e também praticaram essas torturas”, disse Thelma Leal.
“A gente tem informação de que a segunda vítima teve o celular subtraído nesse momento e que foram feitas transferências bancárias para outras pessoas. Isso configura crime de extorsão para essas pessoas”, concluiu.
Lista de pessoas denunciadas
Matheus Pires Castro: Presidente da Bamor
Luciano da Silva Venâncio: Vice-presidente
Gabriel Pereira Silva: Diretor-geral
Daniel Sena Duarte: Diretor de sede
Luiz Wagner da Silva Santana: Diretor de sede;
Ricardo Henrique Almeida da Silva: Diretor de marketing
Diego Allan Conceição Sacramento: Diretor de patrimônio
Ivã Cleiton de Jesus Santos: Diretor de bateria
Alan Rafael Regis Alves de Aquino: Diretor financeiro
Policial Militar Fernando Santana Esquivel: Apontado como integrante da torcida organizada.
Fonte: Bnews





