Por: Lila Oliveira
A data foi uma oportunidade para reunir feirantes e destacar as histórias de quem construiu parte da trajetória da cidade.
O Dia do Feirante, celebrado, em 25 de agosto, foi marcado por um café da manhã entre trabalhadores da Feira da Marechal Deodoro, em Feira de Santana. A data foi uma oportunidade para reunir feirantes e destacar as histórias de quem construiu parte da trajetória profissional e familiar dentro do comércio popular. O evento está na 5ª edição e foi organizado pela Associação dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Feira Livre.
Entre os trabalhadores está Rosilda da Silva Queiroz, que há 50 anos atua como feirante, na Marechal Deodoro. Ela conta que a feira se tornou parte da própria vida e que, ao longo das décadas, criou os filhos e sustentou a família com o trabalho realizado no local. “O tempo que eu passo aqui, me sinto bem e um dia que não venho, me sinto mal em casa, porque me dá estresse, sou agoniada, estou consciente que aqui estou muito melhor. Eu tive meus filhos todos aqui nessa feira. Eu criei tudo aqui, botei tudo no ritmo da feira. Hoje a feira está devagar, acho o movimento mais devagar que antigamente. Um dia a gente vende, outro dia não e aí vai levando. Hoje, temos um lugar para jogar o lixo e o lixeiro vem e pega. A gente junta no cantinho e não fica sujo de jeito nenhum. Quando a gente chega tá tudo limpinho, tudo organizado nas bancas da gente. Essa minha banca é porque o dinheiro ainda não entrou e não está bom, mas se eu tivesse condições, não estaria assim caindo. Deus vai me dar uma vitória para um dia eu botar ela, no lugar como era. Mesmo quando me aposentar, que sei que vou ganhar o meu dinheirinho, venho para ajudar o meu filho e voltar para casa”.
Outra história é a de Tânia Damasceno, que está próxima de completar 20 anos como feirante. Além de feirante, ela é agricultora. Parte dos produtos comercializados, na Marechal Deodoro, é cultivada por ela, na zona rural. Tânia ressalta as dificuldades enfrentadas pelos produtores, como o aumento dos custos por causa dos impactos das condições climáticas sobre a produção agrícola. “Eu já vou fazer 20 anos na atividade. Meu filho estava com 1 ano e 8 meses. Ele agora vai fazer 22 anos. Criei minha família toda aqui. E sempre com muita prosperidade. Sou agricultora da roça, planto muita coisa e sempre vou cultivando e trazendo pra cá para vender, feijão, milho, abóbora, mangalô, andu e ovos de quintal. Trouxe uma galinha também de quintal. Ao longo dos anos, as coisas mudaram bastante. Sempre ficando mais caro e tem dificuldade sobre a chuva também, que não está cultivando muito como era, está sempre meio escasso por causa da chuva, mas sempre a gente está trabalhando. A gente espera muitas coisas boas, porque foi uma luta para a gente ficar aqui, na Marechal”.
O feirante Gilvan também recorda um período em que, segundo ele, os feirantes enfrentaram perseguições e apreensões de mercadorias durante o trabalho. “Para mim, aqui, é melhor do que eu trabalhar pra alguém. Porque aqui tenho minhas coisas, que são tiradas daqui. E aí, pra mim é um orgulho trabalhar como feirante. Eu era do tempo que o pessoal perseguia a gente aqui, trabalhando, aí atrapalhava nossas coisas, nosso trabalho, às vezes tomava mercadoria e tudo. Meu sonho é ver meus netos todos maiores de idade e com saúde, isso para mim está bom demais.”
Fonte: Folha do Estado





