Mesmo após o episódio em que profissionais de saúde passaram mal depois de consumir refeições no refeitório, o Hospital Geral Roberto Santos (HGRS) informou, com exclusividade ao Bahia.ba, que não pretende romper o contrato com a LBGS – Líder Brasileira Grupos e Serviços, empresa responsável pelo fornecimento da alimentação na unidade.
O caso ganhou repercussão após servidores relatarem sintomas como náuseas, diarreia, dores abdominais e mal-estar depois de consumirem alimentos servidos no hospital. Embora oficialmente 13 profissionais tenham sido notificados, uma funcionária ouvida pela reportagem afirmou que o número de pessoas afetadas teria sido significativamente maior.
“Notificados foram uns 13, mas que passaram mal de verdade foi bem mais. Uns 20 para mais”, relatou a servidora, que pediu para não ser identificada.
Outro relato obtido pela reportagem descreve suspeitas sobre a qualidade dos alimentos servidos no hospital. A funcionária contou que chegou a encontrar leite aparentemente talhado durante o café da manhã e passou cerca de três dias com fortes sintomas gastrointestinais.
Hospital reforça fiscalização, mas mantém empresa
Questionado pelo Bahia.ba, o Hospital Geral Roberto Santos afirmou que, após o episódio, optou por intensificar a fiscalização, mas não anunciou qualquer medida para substituir a empresa responsável pelo serviço.
Segundo a direção da unidade, equipes da Vigilância Sanitária realizaram inspeções em todas as etapas da operação, desde o recebimento dos alimentos até a distribuição das refeições.
“Após o episódio, o hospital intensificou as ações de fiscalização. Equipes da Vigilância Sanitária realizaram inspeções em todas as etapas do fluxo operacional, desde o recebimento dos insumos até a distribuição dos alimentos, sem identificar irregularidades ou não conformidades nos procedimentos adotados pela unidade”, informou.
O hospital também confirmou que o contrato com a LBGS segue em vigor e que o acompanhamento da prestação do serviço foi reforçado.
De acordo com a resposta enviada à reportagem, o fiscal do contrato passou a realizar vistorias regulares em todas as fases da produção e distribuição das refeições, verificando o cumprimento das normas sanitárias, das boas práticas de manipulação dos alimentos e das obrigações previstas contratualmente.
Direção promete reuniões semanais após denúncias
Em relação aos servidores que apresentaram sintomas, o Hospital Roberto Santos afirmou que todos receberam atendimento médico imediato e acompanhamento da equipe assistencial durante a investigação do caso.
Apesar das reclamações recorrentes sobre a qualidade da alimentação, a unidade informou que não instaurou uma apuração administrativa específica nem mencionou qualquer possibilidade de revisão do contrato firmado com a empresa.
Como medida adotada após a repercussão, a direção afirmou que instituiu reuniões semanais com representantes da LBGS, com o objetivo de acompanhar continuamente a execução do serviço.
“O hospital reforçou os procedimentos de fiscalização e monitoramento da execução do contrato, intensificando as inspeções e instituindo reuniões semanais entre a empresa responsável pela alimentação e a diretoria da unidade para acompanhamento contínuo do serviço, avaliação de eventuais ocorrências e implementação de medidas de melhoria, quando necessárias”, informou.
As declarações contrastam com os relatos de servidores ouvidos pelo Bahia.ba, que sustentam que os problemas envolvendo a alimentação vão além do episódio investigado e denunciam uma suposta queda na qualidade das refeições oferecidas diariamente aos trabalhadores do maior hospital público da Bahia
Fonte: Bahia.ba





