Cantor também criticou descaracterização dos festejos juninos: “O povo gosta de forró”
Em meio às discussões sobre valores pagos a artistas durante o período junino, o cantor Del Feliz defendeu que o principal debate em torno do São João não está nos cachês, mas na preservação da identidade da festa. Durante entrevista ao bahia.ba nesta quarta-feira (10), o artista comentou a repercussão gerada após prefeitos baianos discutirem a adoção de um limite de R$ 700 mil para contratações de atrações nos festejos.
“Eu acho que o cachê de R$ 700 mil é muito alto, mas ainda não me sinto à vontade para dizer que não se pode pagar R$ 800 mil, R$ 1 milhão ou R$ 1,5 milhão. Quem tem que dizer qual é o seu cachê é o artista que está vendendo e a responsabilidade de pagar por isso é de quem compra”, afirmou.
Segundo o cantor, a preocupação maior deve estar na preservação das características que fizeram do São João uma das principais manifestações culturais do Nordeste.
“É natural que a gente se revolte com a ideia de que as festas juninas sejam descaracterizadas. A festa precisa continuar sendo autêntica. É a tradição que atrai o público. Esse discurso de trazer atrações diferentes para trazer público é uma grande mentira. O povo gosta de forró. Com todo respeito, ninguém sai de outro estado para assistir a um show de arrocha, pagode, axé ou sertanejo. As pessoas vêm para curtir a essência da nossa festa tradicional”, declarou.
O tema voltou a ganhar força nos últimos meses em meio a debates sobre cancelamentos de apresentações e ao espaço destinado aos artistas ligados ao forró nas programações juninas. Durante a entrevista, Del Feliz também comentou a decisão do Governo da Bahia de destinar 25% dos recursos do São João para artistas locais.
“A gente espera ainda mais, mas acho que já é um passo importante. A gente precisa sonhar para que a festa seja cada vez mais autêntica e tradicional, porque é isso que faz ela bela, rica e viável economicamente”, completou.
Fonte: Bahia.ba






