O ex-ministro da Casa Civil e pré-candidato ao Senado Federal Rui Costa (PT) e o senador Jaques Wagner (PT) saíram em defesa da soberania nacional nesta sexta-feira, 29, um dia após a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida entra em vigor em 5 de junho.
Ao chamar a medida de “midiática”, Rui disse que, se o governo de Donald Trump quer combater as facções, deveria parar de fabricar e enviar armas de alto calibre para o Brasil.
“80% de todo o armamento apreendido aqui vem dos Estados Unidos. É preciso parar com medidas midiáticas e adotar ações dentro do próprio país”, afirmou o petista.
Rui ainda disse que os norte-americanos não conseguem resolver os próprios problemas de segurança pública.
“Os Estados Unidos não conseguem conter a entrada de drogas no próprio país e insistem em fazer intervenções em outros países”, disparou.
Wagner, por sua vez, afirmou que a decisão do governo Trump terá efeito apenas dentro do território americano, porque o Brasil não aceitará interferência externa.
“Essa decisão vale lá para dentro. Evidentemente que não vamos aceitar a quebra da soberania nacional”, disse.
O senador também classificou como “vergonhoso” o papel de articulador do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), junto ao governo americano.
“Acho vergonhoso alguém que pretende ser candidato à Presidência da República ir aos Estados Unidos pedir arrego, achando que os outros vão intervir aqui. Os Estados Unidos não resolveram o problema de segurança deles. Acho deplorável. Não vamos abrir mão da nossa soberania”, reforçou.
As declarações foram dadas ao portal A TARDE durante a abertura da ação conjunta dos programas Governo do Brasil na Rua e Periferia de Direitos, no Centro Social Urbano (CSU) de Pernambués, em Salvador.
PEC da Segurança
Tanto Wagner quanto Rui também destacaram os esforços do governo Lula (PT) no combate ao crime organizado, citando o envio da PEC da Segurança Pública ao Congresso Nacional.
“O presidente Lula determinou que o governo federal entre no combate ao crime organizado. Tanto que enviou a PEC da Segurança ao Congresso Nacional, que aguarda votação, para permitir uma atuação mais direta”, disse Rui.
Wagner afirmou ainda que “Lula tem a PEC da Segurança para ser votada e está pensando em criar o Ministério da Segurança para integrar as inteligências das polícias e ter mais eficiência no combate”.
Entenda decisão de Trump em classificar facções brasileiras como grupos terroristas
O governo dos Estados Unidos anunciou, na quinta-feira, 28, as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
O anúncio foi feito pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio. A mudança passa a valer a partir de 5 de junho.
Rubio reforçou que a Casa Branca “continuará usando todas as ferramentas” para proteger os interesses do país.
“O CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntos, comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais brasileiros, agentes públicos e civis. Sua influência e suas redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, por toda a nossa região e até o nosso país”, disse Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA.
Matéria do site A Tarde






