“Muitos casos de abuso ocorrem na família”, alerta diretora de Instituto durante seminário em Feira

Seminario-Faca-Bonito-1000x591-1

O seminário reuniu cerca de 100 técnicos e integrantes da Rede de Proteção à Criança e ao Adolescente de 19 municípios

Nesta quarta-feira (17), foi realizado no Colégio Estadual de Tempo Integral Georgina de Melo Erismann o Seminário Faça Bonito Direitos Humanos em Eventos Populares da Bahia. A atividade é promovida pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da Bahia (SJDH), em parceria com o Instituto Aliança.

O seminário reuniu cerca de 100 técnicos e integrantes da Rede de Proteção à Criança e ao Adolescente de 19 municípios do Território de Identidade Portal do Sertão. Juntos, debaterão o tema “Proteção e Protagonismo: Fortalecendo Redes no Portal do Sertão para Prevenção e Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes”.

Em entrevista ao Folha do Estado, a diretora do Instituto Aliança, Ilma Oliveira, pontuou que o tema da violência sexual ainda é invisibilizado, sobretudo porque muitos casos ocorrem dentro da própria família.

“É um tabu. Então, é importante qualificar os profissionais, prepará-los, tanto para prevenir situações de violência sexual contra crianças e adolescentes, como também, acontecendo a situação, com a maior celeridade possível, esses casos sejam devidamente atendidos, essas crianças e adolescentes sejam acolhidos, protegidos e encaminhados para os serviços de proteção”, destaca.

Ela ressaltou que com a tecnologia e as redes sociais, a vulnerabilidade de crianças e adolescentes aumentou significativamente.

“Hoje, com o avanço da tecnologia, realmente existe uma exposição muito grande de crianças e adolescentes, e o Brasil avançou em relação a outros países, no sentido de que hoje nós temos uma legislação aprovada. Nós temos o Estatuto da Criança e do Adolescente, que é uma legislação importante, e agora nós temos o Estatuto da Criança e Adolescente Digital, o ECA Digital, que dentro da própria legislação já existem regramentos para proteger crianças e adolescentes desses espaços, e alerta também a própria família e a própria sociedade para esse uso, digamos assim, assistido da tecnologia junto a crianças e adolescentes.”

A violência sexual em Feira de Santana

Para a diretora do Instituto Aliança, a localização de Feira de Santana, segunda maior cidade do estado da Bahia, potencializa os casos de abuso e exploração sexual infantojuvenil.

“Feira de Santana é um entroncamento entre o Norte e o Sul do país. Por estar nesse lugar, é muito importante que todos os profissionais, toda a rede de proteção esteja atenta, que saiba os canais de denúncia, proteja crianças e adolescentes que se encontrem porventura nessa situação. Nós estamos falando, nessa região, de cerca de 315 mil crianças e adolescentes. Ou seja, isso é mais do que muitas cidades de médio porte do Brasil inteiro, inclusive da capital Palmas”, alerta.

Vigilância constante

Iara Farias, coordenadora de Proteção da Criança e o Adolescente da SJDH, falou sobre a importância de eventos como este para a qualificação da rede de apoio e atendimento.

“Essa é uma pauta da maior importância, porque nós precisamos informar à comunidade sobre o número crescente de violações de direitos que vêm ocorrendo contra crianças e adolescentes, de um modo geral, e especialmente a violência sexual. E a situação da Bahia é ruim. Nós estamos entre os estados onde ocorre o maior número de violência, mas o governo vem trabalhando permanentemente nessa pauta. A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos criou o projeto Proteja, que está completando dois anos agora, e com esse projeto nós já atendemos 326 adolescentes vítimas de violência. Desses casos, 60% são de violência sexual contra meninas”, afirmou.

Ela chama a atenção, ainda, para o grande número de violações que ocorrem no seio familiar. “Muito padrasto, muito pai, tios, irmãos e vizinhos. São pessoas sempre próximas da família. Então, é necessário que se tenha muita atenção nesse sentido. Porque a internet é agora também um perigo muito grande. O que nós estamos vendo? Estamos vendo coisas que jamais pensávamos assistir. São estupros via internet e violências de todos os tipos praticadas nesse ambiente virtual”, lamenta.

A Secretária de Desenvolvimento do Município, Gerusa Sampaio, reiterou a participação da prefeitura no evento e a parceria com o estado para conscientizar a sociedade sobre a problemática e a construção de políticas públicas para amparar e proteger as crianças.

“Realizamos uma blitz educativa na rodoviária e abordamos uma menina que estava sendo explorada. Nós trabalhamos com a Secretaria de Desenvolvimento Social, temos abrigos para crianças que tem seus direitos violados, tem o Cras, o Conselho da Criança e do Adolescente, os Cras, que são uma porta de entrada para as famílias”, citou.

 

Fonte: Folha do Estado

Mário Sepulveda/ FE
foto Mário Sepulveda/ FE
Vicente Santos é responsável pelas informações e imagens apresentadas nesta postagem.Radar News não se responsabiliza pelo conteúdo publicado.
Sou Jornalista formado desde de 2014, radialista. Sempre em busca da informação

Busca Raio X News