Apesar de apoio inicial, lideranças religiosas atribuem derrota à insatisfação com o governo e veem oportunidade política futura
Lideranças evangélicas lamentaram a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas atribuíram o resultado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O advogado-geral da União não conseguiu, na quarta-feira (29), votos suficientes para ser aprovado, após resistência liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Embora parte do segmento evangélico tenha apoiado a indicação, o nome de Messias dividia opiniões, especialmente entre parlamentares religiosos. A principal resistência estava ligada à sua proximidade com Lula e à percepção de alinhamento com pautas de esquerda.
O bispo Robson Rodovalho, fundador da Igreja Sara Nossa Terra, avaliou que Messias teve bom desempenho na sabatina, mas acabou prejudicado pelo desgaste do governo federal. Segundo ele, “todas as insatisfações e promessas não cumpridas acabaram recaindo sobre o candidato”.
Durante a sabatina, Messias buscou esclarecer sua atuação como advogado-geral da União, inclusive em temas sensíveis. Ele afirmou ser contrário ao aborto — assunto levantado por setores conservadores — e explicou posicionamentos anteriores da AGU. Também comentou sua atuação nos episódios de 8 de janeiro, destacando que decisões como pedidos de prisão foram tomadas por dever institucional, não por convicção pessoal.
Apesar de reconhecer os méritos do indicado, Rodovalho afirmou que a rejeição foi recebida com tranquilidade por parte das lideranças evangélicas, ressaltando que Messias é visto como “muito alinhado à esquerda”.
Ele ainda apontou que a decisão abre espaço para uma nova indicação ao STF no futuro, possivelmente feita por outro presidente, dependendo do cenário político.
Fonte: Noticia ao Minuto






