Empresa com histórico controverso recebe R$ 126,6 milhões de banco e levanta questionamentos

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Por: Redação

Sócio da Midias Promotora, investigado por suspeitas de fraude contra aposentados, nega irregularidades; repasses e falta de esclarecimentos ampliam dúvidas sobre contratos

Uma empresa de perfil discreto, sediada no centro do Rio de Janeiro, movimentou ao menos R$ 126,6 milhões em repasses do banco Master, entre 2022 e 2025. As transferências foram classificadas pela instituição financeira, ligada ao empresário Daniel Vorcaro, como pagamentos por prestação de serviços, mas ainda não tiveram detalhamento público.

A empresa beneficiada, Midias Promotora LTDA, tem como sócio-administrador Gilson Bahia Vasconcelos, que já foi alvo de investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro por suposta participação em esquemas de fraude contra aposentados e pensionistas do INSS. Segundo denúncias, o grupo utilizaria dados obtidos por sistemas digitais e técnicas de engenharia social para induzir vítimas a contratar empréstimos consignados sem pleno consentimento.

O volume repassado à Midias supera, por exemplo, os R$ 80 milhões declarados como pagos ao escritório da advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Ainda assim, não há informações públicas detalhando quais serviços justificariam os valores destinados à empresa.

Documentos indicam que a Midias foi aberta em 2020, com capital social de R$ 1 milhão — ano em que o próprio sócio recebeu auxílio emergencial do governo federal. Atualmente, a empresa acumula dívida ativa de cerca de R$ 12,5 milhões com a União, relacionada ao não pagamento de tributos.

Em 2024, período em que concentrou a maior parte dos repasses (R$ 96 milhões), Bahia Vasconcelos chegou a ser preso preventivamente por quase um mês em decorrência de investigações sobre o chamado “golpe do call center”. Ele responde a processos por estelionato e participação em organização criminosa, além de figurar em outras ações judiciais relacionadas a empréstimos consignados.

A defesa do empresário afirma que ele nega envolvimento nas irregularidades apontadas e sustenta que as movimentações financeiras da Midias ocorrem dentro da legalidade, com devida comunicação aos órgãos competentes. O banco Master, por sua vez, não respondeu aos questionamentos sobre os serviços prestados nem sobre eventuais análises de compliance relacionadas à empresa.

O caso segue cercado de questionamentos, especialmente diante da discrepância entre os valores movimentados e o perfil financeiro registrado do empresário e de sua empresa.

 

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