Por: Redação
Especialistas e tatuadoras rebatem associação feita por grupos red pill e destacam significados simbólicos e pessoais do desenho
A tatuagem de borboleta passou a ser alvo de críticas em comunidades ligadas ao movimento red pill, que difunde visões machistas sobre papéis de gênero. Nessas narrativas, mulheres que possuem o símbolo seriam rotuladas de forma negativa, com base em estereótipos sem fundamento.
Profissionais da área e estudiosos contestam essa interpretação e apontam que se trata de mais uma tentativa de disseminar discursos misóginos. A socióloga Beatriz Patriota, que pesquisa o universo das tatuagens, explica que o uso da borboleta é antigo no Ocidente e ganhou força no Brasil a partir da década de 1990, impulsionado pela presença na mídia, como novelas e músicas.
Segundo a pesquisadora, o desenho sempre esteve ligado a ideias como feminilidade, delicadeza, liberdade e transformação — esta última inspirada no processo de metamorfose do inseto. Ela destaca que tatuagens são construções sociais e frequentemente alvo de estigmatização ao longo da história, quando determinados grupos tentam atribuir significados negativos a símbolos populares.
Para a tatuadora Jessica Huang, do estúdio Sampa Studio, o sentido de uma tatuagem é individual e não pode ser usado para julgar o caráter de alguém. Ela afirma que a borboleta é um dos desenhos mais solicitados por clientes, principalmente mulheres de diferentes idades, e pode representar desde superação de doenças, como o lúpus, até momentos marcantes da vida, como perdas e recomeços.
Huang também ressalta que, além dos significados profundos, há quem escolha o desenho simplesmente por apreciação estética. “Assim como a borboleta passa por transformação, muitas pessoas se identificam com essa ideia de mudança. Mas, no fim, cada tatuagem carrega o significado que o indivíduo quiser dar”, afirma.
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