A política feirense entrou definitivamente em ritmo de eleição. O anúncio da pré-candidatura do radialista e ex-deputado estadual Carlos Geilson ao cargo de deputado federal, pelo partido Republicanos, feito na última quinta-feira (17), não é apenas mais um nome que entra na disputa. Longe disso: é o sinal claro que a conta chegou e o jogo de poder está sendo reescrito.
À primeira vista, parece ser a natural decisão de um veterano querendo retornar ao cenário político. Mas, analisando os bastidores com calma, o que se vê é um movimento estratégico de cobrança. Uma dívida política que, até agora, não foi paga e que começa a mexer com as estruturas do governo municipal.
O acordo de 2024 e a “fatura em aberto”
Para entender o presente, é preciso lembrar do passado recente. Nas eleições municipais de 2024, o Republicanos fez um sacrifício estratégico: abriu mão da candidatura própria do deputado estadual José de Arimatéia à Prefeitura de Feira de Santana para fortalecer o projeto de retorno de Zé Ronaldo ao Palácio Maria Quitéria.
Analistas políticos são unânimes em afirmar: sem essa abertura e união em torno de Zé Ronaldo, a disputa teria ido para o segundo turno, ou até mesmo a derrota poderia ter ocorrido ainda na primeira etapa. Com o apoio maciço do partido, Ronaldo venceu no primeiro turno — ainda que com uma margem considerada “arrastada” — e assumiu o comando da cidade.
O problema, segundo os bastidores, é que após a posse, os acordos firmados com as lideranças maiores, os chamados “caciques” do Republicanos, não foram cumpridos. E agora, o partido quer a sua parte no “bolo”.
A Estratégia: Duas setas para o mesmo alvo?
Para garantir essa fatia, o partido já lançou dois nomes de peso que possuem origem na mesma base governista:
1. Cintia Machado – Ex-vereadora e ex-secretária de Habitação.
2. Carlos Geilson – Ex-deputado e comunicador de larga influência.
A movimentação cria um cenário curioso e perigoso para um nome específico na cidade: o do empresário José Chico.
O “Perigo” para Zé Chico e a briga pelos votos
José Chico desenhava seu projeto para ser o candidato único, a voz oficial do governo na disputa por uma vaga na Câmara Federal. Tudo parecia caminhar bem, inclusive após uma articulação forte que conseguiu convencer o secretário de Educação, Pablo Roberto, a desistir da disputa, garantindo assim a “unidade” em torno do nome de Chico.
No entanto, a insistência dos líderes do Republicanos em lançar seus próprios nomes muda completamente o quadro. O risco agora é real: Cintia Machado e Carlos Geilson, por serem da mesma base e terem eleitorado similar, tendem a dividir os votos que, teoricamente, seriam todos de José Chico.
São votos preciosos que irão se fragmentar, o que pode dificultar a eleição de qualquer um dos nomes da base, ou beneficiar outros nomes que estão de fora.
O caldo ainda pode engrossar
E a movimentação não deve parar por aí. Conforme informações apuradas, ainda existe a possibilidade de um terceiro nome surgir oficialmente na disputa pelo partido. Se isso se confirmar, o cenário ficará ainda mais competitivo e complexo, prometendo agitar ainda mais os próximos meses na política feirense.
Em resumo: a briga é justa, a cobrança está feita, mas quem vai sair ganhando ou perdendo com essa divisão ainda é o grande mistério da política local.
Fonte: Rota da Informação






