Mesmo com a garantia de direitos e assistência social que vão desde a oferta de moradia digna, alimentação até segurança, persiste a resistência
A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Sedeso) está enfrentando desafios para a adaptação cultural de 43 imigrantes indígenas venezuelanos da etnia warao acolhidos pela Prefeitura de Feira de Santana. Mesmo com a garantia de direitos e assistência social que vão desde a oferta de moradia digna, alimentação até segurança, persiste a resistência em absorverem a cultura brasileira.
O grupo dos 43 imigrantes indígenas venezuelanos, formado por 10 famílias, enfrenta dificuldade em conseguir uma moradia fixa onde possa ter maior autonomia. Diante desta situação, a secretária de Desenvolvimento Social, Gerusa Sampaio, terá uma reunião na próxima terça-feira (20), com o proprietário de uma vila de casas visando viabilizar um aluguel social em forma de pecúnio para que os venezuelanos possam adquirir maior independência.
Gerusa Sampaio observa que a assistência dos venezuelanos no Centro Temporário de Acolhimento a Moradores de Rua (CTA) não pode ser definitiva, já que o equipamento é para assistência temporária de um público flutuante formado por moradores de rua. “Existe a dificuldade de encontrar um abrigo adequado às necessidades deles em função da questão cultural. Justamente diante destes obstáculos já mantivemos reuniões com o Estado e a União para obter o apoio necessário, assim como a Defensoria Pública”, destacou.
O grupo de venezuelanos assistidos pela Sedeso retornou a Feira de Santana no dia 14 de outubro do ano passado. Já esteve na cidade antes, no período de 2020 a 2024, tendo migrado para João Pessoa, na Paraíba, onde o cacique da tribo a qual pertence se encontra com a mulher.
Aqui em Feira, conforme a secretária de Desenvolvimento Social, Gerusa Sampaio, o grupo de venezuelanos, formado por crianças, adolescentes, adultos e idosos, inclusive duas gestantes, recebe assistência no CTA. No local eles têm garantida a alimentação com cardápio específico aos costumes alimentares da tribo, assistência de funcionários municipais e segurança.
Gerusa Sampaio informa ainda que todos os 43 venezuelanos que recebem assistência da Prefeitura de Feira passam por acompanhamento de assistentes sociais, educadores e nutricionista. Enquanto isso, a Secretaria Municipal de Saúde também mantém a rotina de visita de profissionais de saúde para exames periódicos e encaminhamentos.
No abrigo os venezuelanos seguem uma rotina que visa garantir a segurança do grupo, com orientações para evitarem permanecer nas ruas à noite para não serem alvos de violência urbana.
A alimentação, fornecida pela Prefeitura, três vezes ao dia, é preparada por eles próprios, seguindo cardápio da cultura indígena venezuelana, que envolve macarrão, galinha, arroz, ovos, aipim e farinha de trigo.
Além da assistência social mantida pela Prefeitura, os venezuelanos também estão inscritos em programas sociais, como BPC (Benefício de Prestação Continuada), que garante um salário mínimo de R$ 1.621,00, e ainda o Bolsa Família, que varia entre R$ 600,00 a R$ 1.736,00.
O cenário tem gerado questionamentos sobre até onde vai a responsabilidade de um município que já enfrenta desafios históricos nas áreas de saúde, educação, mobilidade e assistência social para sua própria população. A situação evidencia um problema que ultrapassa os limites de Feira de Santana e do Brasil como um todo, exigindo respostas mais firmes e estruturadas do Governo Federal e de organismos internacionais.
Enquanto isso, a Prefeitura segue administrando uma crise que não criou, tentando equilibrar o dever humanitário com a realidade orçamentária e social do município — um desafio que, cada vez mais, expõe os limites da gestão local diante de um problema global.
Fonte: O Protagonista







