Coluna Política
O ataque dos Estados Unidos à Venezuela — ou, pelo menos, o ensaio geral para mais uma “libertação democrática” — não surpreende absolutamente ninguém. Nicolás Maduro não é flor que se cheire, nem perfume falsificado engana mais. Mas achar que chuva de bomba resolve ditadura é acreditar que martelo conserta relógio.
A Venezuela já sangra. São mais de 7 milhões de refugiados, espalhados pelos países vizinhos, inclusive o Brasil, que virou abrigo, corredor humanitário e espectador de uma tragédia anunciada. E alguém realmente acredita que explodir o que restou vai gerar estabilidade? Só se for estabilidade no caos.
Tem quem defenda a tese de que a guerra seria um “ajuste”, um corretivo moral contra os métodos autoritários de Maduro. Bonita narrativa. Funciona bem em discursos, mas nunca funcionou na vida real. Ainda mais quando o ajuste vem embrulhado com bandeira estrangeira e selo “Made in USA”.
Porque sejamos francos: o Tio Sam não entra em briga por caridade. Foi assim no Iraque, foi assim em todo conflito onde a democracia chegou escoltada por tanques e saiu deixando escombros. Onde há bomba americana, há interesse — e geralmente não é humanitário.
E não se enganem achando que o recado é apenas para a América do Sul. A Venezuela é o palco, não o alvo final. É um aviso global, um teste de força, uma lembrança de quem ainda acha que manda no tabuleiro. Para bom entendedor, meia bomba basta — para os distraídos, sobra estilhaço.
O mais curioso é ver os antigos defensores da “soberania” pedindo sanções e intervenção estrangeira com a mesma naturalidade de quem pede pizza. Da sanção à bomba é um pulo — e quem bate palma depois não pode fingir surpresa.
No fim, Maduro pode até ser um molusco…
mas quando a fruta apodrece, ninguém salva jogando granada.
Por: Vicente Santos







