Vicente Santos, Colunista
Responder a essa pergunta não é simples, especialmente em um país como o Brasil, onde o racismo ocorre de forma velada. Para muitos, o racismo seria passado, uma lenda superada. Mas como explicar isso a uma adolescente de 14 anos, aluna da escola estadual rural Maria Quitéria, em Feira de Santana, que, justamente nesta semana, ouviu de uma professora — quem deveria ajudar a desconstruir essa narrativa — ofensas como “miserável, peste preta”?
É importante esclarecer que essa não é a conduta predominante entre os educadores, mas esse episódio expõe uma realidade preocupante. Como negar a existência do racismo quando uma mãe ou um pai são presos por roubar alimentos para alimentar os filhos e ninguém clama por sua libertação, enquanto demora-se a condenar atos cometidos por homens brancos? Essa é a dualidade amarga que revela um Brasil que não é racista apenas, mas sim contraditório, onde interesses particulares exploram essa realidade para manter um sistema que permite discriminações veladas e injustiças sociais.
Viva o Brasil da hipocrisia — um país que se beneficia da desigualdade e se recusa a reconhecer suas feridas.







